MSD deverá ampliar sua fábrica no interior de SP

Edival Santos: investimento trará um novo grupo de medicamentos ao país
Dois anos após reestruturar suas operações no Brasil para concentrar a produção em apenas uma fábrica, a MSD Saúde Animal, braço veterinário da farmacêutica americana Merck, pretende já em 2016 investir na ampliação da unidade, localizada em Cruzeiro, no interior paulista.

O objetivo do investimento é trazer para o Brasil a produção de um "grupo" de medicamentos, disse ao Valor o presidente da MSD no país, Edival Santos. O executivo não quis detalhar, no entanto, quais são esses produtos e o total de desembolsos, mas garantiu que a matriz já bateu o martelo.

De toda maneira, o investimento é orientado pela estratégia mais geral da MSD, de tornar a empresa mais "equilibrada" e reduzir a participação relativa dos produtos veterinários voltados ao segmento de bovinos, responsável por 60% da receita da empresa. Em 2014, a MSD faturou R$ 516 milhões no Brasil, e em todo o mundo, US$ 3,4 bilhões.

De acordo com Santos, a empresa já é mais "equilibrada" hoje do que há três anos, quando ele assumiu o comando da companhia, dando início à reestruturação que culminou com o fechamento da unidade fabril de Fortaleza (CE), que produzia vacinas contra o vírus da febre aftosa, e de Cotia (SP).

Por equilibrada, entenda-se tanto a redução da ociosidade – as fábricas de Cotia e Cruzeiro tinham muitas "similaridades", afirmou -, quanto a diversificação de espécies atendidas. Ao longo do ano, a MSD já avançou nessa frente e aumentou de maneira relevante sua fatia no mercado de medicamentos veterinários para pets, disse Santos.

"Saímos da nona posição para a terceira posição no mercado pet", ressaltou o presidente da MSD. Essa posição é mais próxima da que a companhia tem no mercado veterinário brasileiro. De acordo com ele, a MSD é a segunda maior entre as veterinárias que atuam no Brasil, atrás da também americana Zoetis.

O avanço da MSD no mercado pet só foi possível graças ao lançamento, no fim do ano passado, de um comprimido mastigável para o combate de pulgas e carrapatos em cães, explicou Santos. Com esse produto, as vendas da MSD no segmento de pets registram crescimento de 28% em 2015, de acordo com o executivo. "Hoje, pet é mais ou menos 15% do faturamento da MSD, em linha com o mercado", acrescentou ele. Há um ano, o segmento representava 6% das vendas.

Para a MSD, o salto das vendas no mercado pet não garantiu apenas a diversificação do portfólio, mas também o próprio crescimento de 10% esperado para este ano. Não fosse o lançamento, a empresa não registraria crescimento do volume vendido neste ano, avaliou Santos. A questão é que a companhia sofreu com os reflexos do vencimento da patente de um promotor de crescimento para o mercado de frango, perdendo espaço para os genéricos.

No mercado de bovinos, ainda o carro-chefe da MSD, persiste o desafio de reduzir a dependência das vendas de vacinas contra o vírus da febre aftosa, que respondem por mais de 10% do faturamento. Há dois anos, em entrevista ao Valor, Santos já havia explicitado o objetivo de reduzir as vendas de vacinas. No entanto, a companhia segue comercializando o mesmo patamar de 80 milhões de doses por ano.

As vacinas contra aftosa são consideradas estratégicas para puxar a venda de outros produtos. O problema é que a MSD abandonou essa produção em 2013 por considerar muito altos os investimentos necessários para adequar a fabrica de Fortaleza às normas de biossegurança. Com isso, passou a comprar vacinas da concorrente Vallée, perdendo margens nas vendas.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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