MPE poderá pedir novas prisões por fraude no RS

A operação "Leite Compen$ado", deflagrada pelo Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul (MPE) e pelo Ministério da Agricultura (MAPA) e que apurou um esquema de adulteração de leite cru entregue a indústrias de laticínios por cinco transportadoras, terá desdobramentos nos próximos dias. O MPE pretende pedir a prisão de novos envolvidos no caso, além dos sete que permanecem detidos preventivamente desde a semana passada, o que sinaliza que as fraudes podem incluir outras transportadoras em outras regiões do Estado.

A adulteração do leite, com adição de água e ureia com formol para aumentar o volume e, ao mesmo tempo, mascarar a diluição do teor de proteína da matéria-prima, foi flagrada em Ibirubá, Tapera, Selbach, Horizontina, Crissiumal e Guaporé, no noroeste e nordeste do Estado. Segundo o MPE, os cinco transportadores podem ter fraudado 100 milhões de litros desde abril do ano passado, quando o Ministério da Agricultura verificou as primeiras irregularidades em análises de rotina.

Em janeiro e fevereiro, o ministério encontrou formol no leite UHT das marcas Líder (da LBR – Lácteos Brasil), Mu-Mu (Vonpar Alimentos), Latvida (VRS Indústria de Laticínios) e Italac. Os lotes contaminados foram retirados do varejo, e o MPE entrou no caso, dando início ao processo investigativo criminal contra os transportadores e a quatro inquéritos civis para apurar se houve negligência dos laticínios no controle de qualidade do leite cru recebido.

Até o fim da semana, a Procuradoria Especializada Criminal do MPE deve apresentar as primeiras denúncias à Justiça e o número de denunciados deve superar o de suspeitos presos até agora, todos eles ligados às empresas de transporte. Já a Promotoria de Defesa do Consumidor começa nesta terça-feira a ouvir as indústrias envolvidas.

A primeira será a VRS, que também teve as instalações lacradas pela Secretaria da Agricultura do Estado na semana passada. Todas as empresas negam participação nas fraudes, e o mais provável é que elas assinem um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público. O acordo exigirá a aplicação de medidas mais rigorosas de autocontrole de qualidade e ainda o pagamento de uma multa por danos coletivos aos consumidores.

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Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre

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