MP agora flagra água oxigenada em leite gaúcho

Cinco meses após a operação "Leite Compen$ado", que flagrou um esquema de adulteração de leite com adição de ureia com formol no Rio Grande do Sul, o Ministério Público (MP) do Estado desbaratou ontem um novo esquema para fraudar o produto, agora na cidade gaúcha de Três de Maio.

Assim como ocorreu em maio, a irregularidade era praticada por um transportador que levava a matéria-prima dos produtores para as indústrias.

Desta vez, segundo o MP, o transportador Airton Reidel, de 31 anos, chefiava uma quadrilha formada ainda pela esposa e dois sobrinhos dele que comprava leite prestes a vencer por até 50% do valor de mercado. Após a adição de produtos químicos, entre eles água oxigenada (peróxido de hidrogênio), o produto era repassado à indústria. Ainda serão investigadas denúncias do uso de soda cáustica e bicarbonato de sódio na fraude.

Reidel chegou a ser preso por posse ilegal de arma, mas foi liberado após pagar fiança de R$ 2 mil, informou o advogado dele, Juarez Antônio da Silva. De acordo com o advogado, seu cliente nega ser proprietário da arma e também o esquema de adulteração de leite. Os produtos encontrados no galpão da transportadora seriam para a limpeza dos tanques de armazenamento, disse o advogado.

O Ministério Público informou, porém, que "a quadrilha adicionava produtos químicos ao leite in natura com a finalidade de mascarar a adição da água e aumentar o volume do produto final para elevar a lucratividade". A água oxigenada era acrescentada para aumentar a durabilidade do leite, pois age como bactericida. No entanto, o produto também elimina as vitaminas A e E e, em altas concentrações, prejudica a flora intestinal.

A fraude foi detectada a partir de informes da Laticínios Bom Gosto, do grupo LBR Lácteos Brasil, e da Comércio de Laticínios Mallmann, que rejeitaram três cargas do transportador no mês passado depois que análises apontaram a presença de água oxigenada. Conforme o MP, a LBR firmou um termo de ajustamento de conduta (TAC) após a operação de maio para reforçar os controles do leite recebido.

Em nota, a Lácteos Brasil garantiu que o produto fraudado foi detectado no primeiro dos três pontos de checagem nos estabelecimentos da empresa e "não foi utilizado na fabricação de nenhum produto".

O diretor da Laticínios Mallmann, Marcelo Mallmann, também assegurou que a matéria-prima adulterada não foi revendida para as indústrias atendidas pelo posto de resfriamento da empresa em Sede Nova (RS). Segundo ele, o lote fraudado continha 9 mil litros.

Segundo o MP, a Receita Estadual do Rio Grande do Sul detectou que no último ano um dos envolvidos no esquema comprou 25 quilos de bicarbonato de sódio, 400 quilos de hidróxido de sódio e 110 quilos de peróxido de hidrogênio. A Promotoria afirma ainda possuir escutas telefônicas em que os acusados dizem claramente que faziam a adição de químicos ao leite, além de notas fiscais de produtos como água oxigenada, soda cáustica e bicarbonato de sódio, bem como laudos técnicos.

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Fonte: Valor | Por Tarso Veloso e Sérgio Ruck Bueno | De São Paulo e Porto Alegre

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