Movimento pressiona cotação do boi

A conjuntura adversa que já levou à paralisação de dezenas de frigoríficos neste ano no país está influenciando os preços do boi. Leandro Bovo, operador da mesa de futuros do BESI Brasil, observa que o indicador Esalq/BM&FBovespa para a arroba do boi gordo negociada no Estado de São Paulo (referência para o restante do país) ficou em R$ 149,63 em junho, 1,1% menos que em maio. Em relação a abril, quando o indicador atingiu o pico de 2015 até agora, a retração foi de 2,2%.

Conforme Bovo, o menor número de plantas em operação colabora para aumentar o poder de barganha dos frigoríficos. "O boi caiu pela falta de apetite da indústria", complementa Lygia Pimentel, da Agrifatto. Apesar dessa queda, os preço da arroba ainda está muito acima do registrado em igual período do ano passado – 20,1%. E, de maneira geral, a avaliação é que as cotações do boi deverão continuar bem acima dos patamares de 2014.

Para a carne bovina, cujos preços elevados já assustam o consumidor, não deverá haver alívio, segundo o coordenador de pecuária da Agroconsult, Maurício Nogueira. Em evento semana passada, ele disse que o "mark-up", indicador de margem do varejo, já está abaixo mo da média histórica, o que não abre espaço para baixas da carne. Além disso, há perspectivas de recuperação das exportações.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo