Mosaic adquire área de fertilizantes da Vale

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Para Joc O’Rourke, compra de ativos da Vale se encaixa na estratégia da Mosaic

Com a aquisição do negócio de fertilizantes da mineradora Vale por US$ 2,5 bilhões, anunciada ontem, a multinacional americana Mosaic passará a ter produção no Brasil. Até então, a companhia tinha só a distribuição do insumo no país e a produção estava concentrada nos EUA e no Canadá.

Na operação, a Vale receberá US$ 1,25 bilhão em dinheiro e os US$ 1,25 bilhão restantes em cerca de 42,3 milhões de ações ordinárias a serem emitidas pela Mosaic. O montante representa cerca de 11% do total de ações ordinárias da companhia americana, que teve receita líquida global acumulada de US$ 6,7 bilhões neste ano até setembro.

A aquisição envolve cinco minas de fosfato da Vale no Brasil, quatro fábricas de produção de químicos e fertilizantes e uma unidade de potássio, incluindo o projeto de Carnalita. A transação contempla ainda a venda da participação de 40% da Vale na mina de fosfato Miski Mayo, no Peru, elevando a fatia da Mosaic no negócio para 75%; e o projeto de potássio em Kronau, no Canadá. A inclusão, na transação, do projeto de potássio de Rio Colorado, na Argentina, está sujeita à aprovação da Mosaic, após diligências.

Os ativos de nitrogenados e fosfatados da Vale em Cubatão (SP) não estão incluídos no negócio. A brasileira espera vendê-los em 2017.

Ao Valor, o diretor de cadeia de suprimentos da Mosaic, Eduardo Monteiro, disse que hoje o Brasil representa um mercado consumidor de 5,6 milhões de toneladas de fertilizantes para a empresa. Com a aquisição, a capacidade de produção da Mosaic terá um incremento de 4,8 milhões de toneladas de fósforo e de 600 mil toneladas de potássio. "Com a aquisição, o Brasil se torna o principal mercado consumidor dos produtos produzidos pela Mosaic ao redor do mundo", afirmou.

Para o CEO global da Mosaic, Joc O’Rourke, o Brasil é o país mais promissor para a agricultura mundial, e a compra dos ativos da Vale se encaixa perfeitamente na estratégia de crescimento da americana no segmento de fosfato e potássio.

As sinergias da transação estão estimadas em US$ 80 milhões e serão captadas até 2019, segundo a Mosaic. Parte delas deverá vir da economia com custos logísticos, considerando que os ativos adquiridos estão próximos do mercado consumidor.

A expectativa é que a operação seja concluída no fim de 2017, segundo as empresas. A Vale informou que usará os recursos da venda para reduzir sua dívida.

As ações que a Vale passará a deter na Mosaic não poderão ser transferidas por dois anos após a conclusão da transação. Depois desse período, a mineradora afirma que passará a ter "plenos direitos" e poderá indicar dois membros ao conselho de administração da Mosaic.

Conforme o acordo, "a Mosaic também pagará montantes adicionais à Vale, como pagamentos de ‘earn-out’, de até US$ 260 milhões no caso de o preço do MAP [tipo de fosfatado] e da taxa de câmbio do real superarem determinados patamares durante cada um dos próximos dois períodos de 12 meses após a conclusão da transação".

A conclusão do negócio está sujeita à separação dos ativos de Cubatão da Vale Fertilizantes e à aprovação de autoridades de defesa da concorrência, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Os ativos de Cubatão devem ser alvo do interesse de mais de uma companhia do setor, segundo fontes ouvidas pelo Valor. Na avaliação de analistas, esses ativos podem valer mais de US$ 625 milhões.

Em vídeo, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse ontem que as dificuldades na abertura de "possíveis janelas de oportunidades" para o mercado de fertilizantes levou à associação com a Mosaic. (Colaborararam Alessandra Saraiva e Francisco Góes, do Rio)

Por Juliana Machado e Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor

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