Mordida no lucro da soja

Crise de confiança na Cotrijui desvia safra a armazéns alternativos, acelera venda e eleva custos

A falta de opções de armazenagem no Interior do Estado vem espremendo as margens de lucro dos produtores nesta safra. O efeito é atribuído à crise de confiança dos associados na Cotrijuí, cuja capacidade estática corresponde a, pelo menor, 7% do total do Estado. Assolada por dívidas, a cooperativa tem seu potencial desperdiçado, já que, mesmo as estruturas classificadas na modalidade de armazém geral, que estão blindadas pela Justiça, não estão sendo demandadas. O presidente da cooperativa, Vanderlei Fragoso, não revela qual é o volume depositado nos armazéns da Cotrijui, mas reconhece que ele é menor em relação ao ano passado, prova da baixa adesão de seus 19 mil associados. Ele admite que os produtores estão receosos de guardarem o grão na Cotrijuí. A solução tem sido enviar a safra para municípios vizinhos, o que gera aumento no frete, ou direcionar ao Porto de Rio Grande. Além de acrescer custo no transporte, o imbróglio da falta de confiança faz com que os produtores percam a possibilidade de maximizar ganhos com venda na entressafra.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Ijuí, Ércio Luiz Eichkoff, a decisão da Justiça, garantindo que o grão armazenado na cooperativa não seria arrestado por credores, chegou muito tarde. Dados da Emater, indicam que 54% da safra de soja já está fora dos campos, valor considera bom para um ano de safra cheia. Em Manoel Viana, na Fronteira-Oeste, a falta de opção de armazéns fez com que, na semana passada, a prefeita Silvana Salbego chamasse uma reunião com o setor para debater alternativas aos armazéns da Cotrijui. A produção do município será de 1 milhão de sacas, enquanto a capacidade dos armazéns locais é de 600 mil sacas, sendo que, 50% está na mão da cooperativa. Segundo o agrônomo da Emater de Manoel Viana Leandro Filipin Vezzovi, mesmo as unidades da Cotrijui classificadas como ‘armazéns gerais’ não estão sendo utilizados. Essa falta de estrutura fez com que aproximadamente 75% dos produtores do município optassem por trabalhar 24 horas para colher a soja e dar conta de escoar direto para o porto de Rio Grande, após a secagem. Outros remeteram o grão para cidades vizinhas.

Em Santiago, com área de 31 mil ha de soja, a situação é mais grave, porque a estrutura da Cotrijui é arrendada e, portanto, fica fora da classificação protegida pela Justiça. ‘A estrutura da cooperativa, com capacidade para 300 mil sacas, era balizadora de preços. Os dois cerealistas em atuação estão pagando até R$ 2,00 a menos em relação a Tupanciretã, R$ 53,00, contra R$ 55,00’, diz o vice-presidente do Sindicato Rural Sandro Cardinal. Para ele, a sorte é que não está chovendo, o que dificultaria o trabalho.

Fonte: Correio do Povo

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