Montesanto amplia aposta na Europa

Fazenda de café da Montesanto Tavares em Angelândia, norte de Minas; grupo espera produzir 90 mil sacas nesta safra em suas cinco propriedades no país
Uma das famílias que mais exportam café no Brasil amplia este ano suas operações no mercado europeu. Sob o comando do empresário Ricardo Tavares, o grupo Montesanto Tavares, de Minas Gerais, espera aumentar seu faturamento em 20% e chegar aos R$ 2,1 bilhões em 2016.

Os negócios de Tavares são um retrato de um dos únicos setores da economia brasileira – o agronegócio – que ainda sobrevivem quase como uma ilha de prosperidade em meio à recessão. E o café tem sido um destaque dessa bonança.

Em janeiro, a Montesanto Tavares abriu um escritório de vendas em Lausanne, na Suíça. A cidade é um polo de tradings de café de vários cantos do mundo. O novo escritório é da Ally Coffee, uma das tradings do grupo mineiro e que deve responder este ano por 25% do faturamento do grupo.

A Ally tem como principal negócio a venda de cafés especiais brasileiros. Esse é o segmento no mercado de café que mais cresce no mundo. Enquanto o consumo do produto convencional (vendido como commodity) cresce à razão de 2% ao ano, o consumo de café especial tem crescido 15%.

Até então, a Ally tem vendido seus grãos quase que exclusivamente para os Estados Unidos. Outras tradings do grupo (Atlântica, Cafebras e InterBrasil) comercializam café no mercado de commodities – café com qualidade e preço inferiores aos especiais.

"As nossas vendas para a Europa este ano devem representar 30% das vendas da Ally", disse Tavares ao Valor. Os demais 70% continuam nos EUA. O mercado asiático ainda é visto pelo empresário como uma promessa que deve começar a render frutos só a partir de 2017.

Nos EUA, Tavares mantém um escritório da trading na cidade de Plantation, na Flórida, e outros em Los Angeles, na Califórnia, e em Greenville, Carolina do Sul. E tem entre seus clientes a rede Starbucks, a Green Mountain Coffee, empresa da Coca-Cola, além de cafeterias e indústrias de menor porte, diz o empresário.

A ênfase é em café de origem brasileira, mas a Ally também compra e revende no mercado americano grãos vindos do Quênia, Etiópia, Indonésia e de produtores da América Central.

Além de café de terceiros, o grupo Montesanto Tavares comercializa o produto que cultiva em suas fazendas em Pirapora, Capelinha, Angelândia e Ninheira, em Minas Gerais, e também em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. Este ano, o grupo espera produzir de 80 mil a 90 mil sacas.

Com a nova base de vendas na Suíça, afirma Tavares, a ideia é atender a uma demanda crescente por cafés especiais de cafeterias e indústrias no Reino Unido, Itália, França, Holanda, Alemanha, Suécia, entre outros europeus. Tavares já exporta para a Nestlé da Suíça.

Tavares pega carona no momento de demanda global aquecida para elevar suas vendas. No ano passado, as exportações brasileiras bateram recorde e chegaram a 36,7 milhões de sacas. O Brasil é o maior produtor e maior exportador do mundo (a parcela de cafés especiais é de pouco menos de 10% das exportações totais). De acordo com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), os embarques somaram 4 milhões de sacas.

O grupo Montesanto Tavares representa a terceira geração da família no ramo do café. O pai de Ricardo Tavares, Aprígio, começou a comercializar café nos anos 1960. Em 1984, ele adquiriu a marca Três Corações, que mais tarde mudou de mãos. Ricardo Tavares e irmãos entraram cedo no ramo e, hoje, netos de Aprígio participam das operações da Montesanto Tavares.

Criada há 12 anos, a holding Montesanto Tavares experimenta uma sequência de alta nos últimos anos em termos de volume comercializado. Em 2013, o grupo movimentou 1,55 milhão de sacas de café; em 2014, foram 2,21 milhões; em 2015, 2,74 milhões e este ano a previsão, segundo Ricardo Tavares, é de 3,2 milhões. No ano passado, as empresas do grupo exportaram 1,51 milhão de sacas – o que o coloca como um dos maiores exportadores de café do país.

O faturamento da holding no ano passado foi de R$ 1,76 bilhão e deve ir a R$ 2,12 bilhões este ano. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) deve ir de R$ 142 milhões em 2015 para R$ 209 milhões em 2016. "A gente está crescendo quase 25% e poderíamos crescer mais. Estamos crescendo com o pé no freio", observa Tavares. Neste ano de turbulência, ele diz que prefere não fazer novos investimentos em armazéns, por exemplo.

O grupo tem seis armazéns próprios em Minas Gerais e utiliza outros seis entre a Califórnia e a Carolina do Sul, nos EUA.

Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte

Fonte : Valor

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