Modelo avança e eleva venda anual para R$ 123 bilhões

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Luiz Roberto Baggio, da Cooperativa Bom Jesus: melhoria em gestão e governança aumentou a competitividade

O avanço das cooperativas agropecuárias brasileiras é indiscutível. Embora o número de associações tenha se mantido em torno de 1,6 mil nos últimos três anos e o de cooperados tenha voltado ao patamar de 1 milhão, depois de cair para 990 mil em 2014, o faturamento apresentou um crescimento substantivo: 70 das maiores do ramo agropecuário faturaram, em 2016, mais de R$ 123 bilhões, aumento de 15% em relação a 2015, de acordo com dados da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB). Só no Pará são mais de 150 mil produtores envolvidos em cerca de 60 cooperativas com faturamento total previsto este ano em mais de R$ 50 bilhões.

Não é nada casual, avalia Luiz Roberto Baggio, representante do ramo agro da OCB e presidente da Cooperativa Bom Jesus, que atua na região sudeste do Paraná com insumos agrícolas e grãos. Com 19 unidades, a Bom Jesus fechou 2016 com receita de R$ 558,6 milhões, um aumento de 118% em relação a 2010. "Nosso modelo, que devolve aos cooperados resultados proporcionais ao seu movimento, se revelou eficiente e competitivo", diz. Segundo ele, o avanço das cooperativas se dá hoje por meio de conquistas do mercado internacional e desenvolvimento regional. "A melhoria das cooperativas em gestão e governança determinou nosso crescimento e aumentou a competitividade em relação às multinacionais que atuam no agronegócio brasileiro", diz.

No caso da Cooxupé – Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (MG), além de gestão profissional e estratégica, o foco é o compromisso, a confiança e a participação dos cooperados, diz Carlos Augusto Rodrigues de Melo, vice-presidente da associação. A Cooxupé tem mais de 14 mil cooperados de municípios do Sul de Minas Gerais, do cerrado mineiro e da média mogiana do Estado de São Paulo, com produção estimada em 6,8 milhões de sacas. Em 2016, a Cooxupé embarcou 5,82 milhões de sacas de café. A participação no mercado interno aumentou 27%, representando 1,9 milhão de sacas. Já as exportações concentraram mais de 3,9 milhões de sacas para 49 países em cinco continentes. "Nossos cooperados têm a consciência da importância de nossa cooperativa como um balizador de preços e fonte de oportunidades para que participem das boas condições geradas pelo mercado ou possam agir com cautela quando as situações não são tão favoráveis assim", diz.

O investimento das cooperativas em novas plantas industriais, silos para armazenagem e em logística também foram determinantes, segundo os empresários. No Paraná, segundo a OCB, as cooperativas investem de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões por ano em novas unidades fabris e tecnologias de produção. São ações fundamentais para enfrentar o maior desafio, que é continuar crescendo para atender às exigências de um mercado seletivo e em expansão, diz Divanir Higino, presidente da Cocamar, de Maringá (PR). As safras recordes de soja e milho exigiram revisão das estruturas armazenadoras, para comportar 1,4 milhão de toneladas de grãos até meados de 2018, um investimento de R$ 70 milhões. "A previsão é chegar em 2020 com receita de R$ 6 bilhões, o dobro em relação a 2015", diz.

Para José Aroldo Gallassini, presidente da Coamo, uma das maiores cooperativas agropecuária da América Latina, com sede em Campo Mourão (PR), que em 2016 faturou R$ 11,45 bilhões, não há segredo nessa escalada de crescimento. "Nosso forte é trabalho, credibilidade e confiança no quadro social", afirma. Criada há 47 anos, a cooperativa começou a atuar com trigo, depois passou a focar mais na soja, incorporou dez outras cooperativas, montou uma área de assistência técnica de grande especialização, com 270 agrônomos, aumentou para 28,1 mil o quadro de cooperados e investiu pesado.

Com 120 unidades e capacidade para armazenar seis milhões de toneladas, a Coamo investiu há dois anos R$ 1 bilhão na criação de quatro entrepostos – três no Mato Grosso do Sul e um no Paraná – e está concluindo a construção de uma grande indústria em Dourados (MS) para esmagamento e refino e envazo de óleo de soja, conta.

Por Genilson Cezar | Para o Valor, de São Paulo

Fonte : Valor

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