Modais têm desempenhos diferentes na pandemia

Cargas no Salgado Filho caem, enquanto no porto de Rio Grande sobem

No Rio Grande do Sul, o reflexo do coronavírus está sendo distinto para dois modais logísticos: o aéreo e o marítimo. Enquanto o Aeroporto Internacional de Porto Alegre (Salgado Filho) começou a verificar a redução na movimentação de cargas a partir de março, o porto de Rio Grande foi na direção oposta e teve incremento. Do lado do transporte por aviões, um dos motivos que explica o cenário é a diminuição na frequência de voos.

Já no setor portuário, o agronegócio foi responsável pelo bom desempenho do complexo gaúcho.

No caso do aeroporto da capital, em abril foram embarcadas e desembarcadas 247 mil toneladas em cargas, contra 1,674 milhão de toneladas no mês anterior e 2,065 milhões de toneladas em abril de 2019. Em maio o desempenho já foi melhor, com 476 mil toneladas trabalhadas. O consultor em aeroportos Fernando Bizarro argumenta que o modal aéreo precisa de agilidade e, como a pandemia diminuiu o número de voos, o impacto foi imediato. No caso do Salgado Filho, em dado momento, a redução chegou a mais de 90%.

Porém, o especialista acredita que o pior passou e a perspectiva é que comece a recuperação do segmento.

Bizarro enfatiza que a logística aérea está diretamente relacionada ao desempenho da economia mundial. "Para melhorar o transporte aéreo de carga, tem que melhorar a economia nos Estados Unidos e na Europa", frisa.

Já o porto de Rio Grande, entre janeiro e maio deste ano, movimentou cerca de 15,5 milhões de toneladas, um incremento de 4,6% em comparação ao mesmo período de 2019. E os melhores resultados começaram justamente a partir de março, quando o patamar das 3 milhões de toneladas foi superado.

Boa parte desse desempenho deve-se a exportações ligadas ao agronegócio.

O consultor de aeroportos lamenta que a situação do coronavírus no Rio Grande do Sul impactou o andamento da ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho, iniciativa que é considerada como essencial para aumentar a capacidade de movimentação de cargas áreas a partir do Estado. Além do problema da pandemia, Bizarro recorda que continua lenta a desocupação das áreas no entorno do complexo, ação necessária para concluir a expansão da estrutura.

Apesar desse contexto, o analista prevê que a Fraport, grupo alemão responsável pela gestão do Salgado Filho, assim que tiver condições irá encaminhar a ampliação da pista. Inicialmente, o prazo de conclusão da obra era dezembro de 2021, o que faria com que a estrutura passasse dos atuais 2,28 mil metros para 3,2 mil metros.

O superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul, Fernando Estima, detalha que a estiagem que assolou o Estado não refletiu tão intensamente na movimentação do porto rio-grandino por causa dos estoques e por pedidos represados do ano passado. Também contribuiu para o resultado positivo o embarque de soja no complexo gaúcho proveniente de estados como Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Entre os itens que foram transportados nessa primeira metade do ano, o dirigente cita, além da soja, fertilizantes, madeira, celulose e gado.

Conforme o superintendente, a expectativa é que 2020 feche com uma movimentação próxima à obtida em 2019 ou até mesmo superando um pouco o desempenho do ano passado, quando foram transportadas em torno de 42 milhões de toneladas em cargas. Entretanto, Estima reforça que o resultado dependerá dos desdobramentos da pandemia. O dirigente comenta que o porto de Rio Grande reduziu em torno de 25% sua capacidade total de trabalhadores como prevenção ao coronavírus. Atualmente, cerca de 4,8 mil pessoas estão atuando no complexo.

Fonte: Jornal do Comércio