Moagem em 2014/15 crescerá apenas 20 mi de toneladas

Segundo a consultoria Datagro, a prioridade será açúcar e anidro, em detrimento do hidratado

por Globo Rural On-line, com informações do Estadão Conteúdo

Ormuzd Alves

Datagro calcula que moagem de cana da safra 2013/2014 deve alcançar 644 milhões de toneladas

A moagem de cana-de-açúcar no Brasil deve crescer 20 milhões de toneladas na safra 2014/2015, ante crescimento de 58 milhões de toneladas em 2013/2014, disse nesta segunda-feira (21/10), o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari. Ele apresentou a projeção durante a 13ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, que vai até esta terça-feira (22/10), em São Paulo.

Em 2013/2014, Nastari calcula que a moagem alcançará 644 milhões de toneladas, caso a safra se encerre com características iguais às da temporada passada. Só no Centro-Sul devem ser 591,5 milhões de toneladas. Até o momento, foram perdidos 21,6 dias de moagem por causa das chuvas, quase o mesmo tempo (21,1 dias) da safra passada.
Nastari reforçou que o País se aproxima da ocupação total da capacidade instalada, com média de 89% no Centro-Sul, e que a consequência deve mais demanda por açúcar e etanol. "O mercado potencial não será atendido. A prioridade será açúcar e anidro, em detrimento do hidratado", disse.
Segundo o executivo, o mercado tem potencial de demanda de moagem de 1 bilhão de toneladas de cana-de-açúcar em 2020. "Mas sabemos que dificilmente atingiremos. O razoável seria 860 milhões de toneladas nessa data. Alguma coisa terá que ceder", disse.
No caso do etanol, o potencial é de 175 bilhões de litros em 2020, caso todas as políticas mundiais para a adoção de biocombustíveis sejam implementadas.

Excedente global

Nastari estimou uma redução do superávit global de açúcar ao final da safra 2013/2014, em setembro do ano que vem, para 2,3 milhões de toneladas 2013/2014. Na safra 2012/2013, o excedente foi de 9,6 milhões de toneladas. A nova projeção está abaixo do que a consultoria previa no início de outubro, de 3,06 milhões de toneladas em setembro de 2014.

Preços

Os preços do açúcar precisariam subir 4 centavos por libra-peso para 6 centavos/lb para estimular os empresários a voltar a investir no setor sucroalcooleiro, afirmou Nastari. Ele considerou, entretanto, que, caso os preços eventualmente subam, os investimentos ainda levariam de três a quatro anos para serem amadurecidos, o que reforça o cenário de demanda aquecida.
Nastari reforçou, ainda, que seria importante que projetos de cogeração voltem a ser viáveis. Ele informou que atualmente se paga R$ 1 mil o megawatt-hora (MWh) pela energia térmica contratada emergencialmente, quando seria viável gerar energia por biomassa a R$ 200 a R$ 210 o MWh. No entanto, de acordo com o executivo, não há estímulo para investimentos de cogeração.

Fonte: Globo Rural

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