Mitos florestais

Nas décadas de 1960 e 1970, como agrônomo da Secretaria da Agricultura e professor na Faculdade de Agronomia, testemunhei a expansão do cultivo da soja no Estado. A cultura estava adstrita à região de Santa Rosa, onde era usada mais para a ração de porcos. Daí começou a se expandir para as fazendas de pecuária onde imperava o capim-barba-de-bode, péssimo para o gado. A instalação de grandes moinhos como a Samrig de Canoas estimulou a demanda. A soja é originária da China. E exótica! Supremo pecado, como o trigo, gado, galinha, cavalo, arroz, ovelha etc. Os ditos ecologistas moveram naquela época intensa campanha contra a soja. Hoje ela está trazendo riqueza para o Estado e o País. Recente publicidade da Secretaria Estadual do Meio Ambiente iguala o mexilhão dourado com o pinus, que agora está demonizado. Antes era o eucalipto. Ressalta a necessidade de maior e melhor embasamento técnico e experimental nessas campanhas contra os dito exóticos.
Quanto às florestais, o fato é que durante anos liquidaram com a nossa fonte de madeira barata, o pinheiro do Paraná (araucaria). Lembro-me de reportagens sobre imensas balsas que desciam o rio Paraná para a Argentina. Os matos de lá estavam sendo preservados e compravam do Brasil. O pinus e o eucalipto estão substituindo a araucária. Pinus que, segundo a secretaria, não permite a ocorrência de submata nativa e é alto extrator de água do solo. Gostaria de saber em que base técnica e experimental isso é afirmado e o que ocorre com plantios uniformes de araucária. Creio que plantios uniformes de uma espécie florestal devem ter o mesmo efeito. Atualmente pinus e eucalipto estão substituindo o pinheiro, para móveis e casas pré-fabricadas, com variedades adequadas e o tratamento contra o cupim. Por que a secretaria  não move campanha contra a tremenda poluição dos esgotos aos rios de todo o Estado? E a Fepam, outro órgão que trata do meio ambiente?

Agrônomo

Fonte: Jornal do Comércio | João Rui Jardim Freire

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