Soja – Sobe custo de produção da soja

Entre a safra 2007/2008 e 2015/2016 custos variáveis aumentaram, em média, 101,7%

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Veja o que a Conab inclui nos custos variáveis

O custo variável de produção da soja subiu em média 101,7% entre as safras 2007/2008 e 2015/2016 nas principais áreas produtoras do Brasil, apontou o estudo "Evolução dos custos de produção de soja no Brasil", divulgado na última terça-feira, 6, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Considerando os oito principais Estados produtores e o uso de variedades convencionais e transgênicas, o gasto médio aumentou de R$ 19,88 por saca de 60 quilos em 2007/2008 para R$ 40,10/saca em 2015/2016, ficando em média em R$ 27,04/saca no período. Já os custos operacionais aumentaram 91,1%, saltando de R$ 23,59 para R$ 45,09 por saca, sendo que a média dos nove ciclos ficou em R$ 31,40/saca.

A Conab considera como custo variável os gastos com máquinas, mão de obra temporária e permanente, sementes, fertilizantes, defensivos, transporte interno, classificação, armazenagem, transporte externo e seguro. Já o operacional é composto por todos os itens de custo variável, conhecidos como despesas diretas, e pela parcela dos custos fixos diretamente associada à implementação da lavoura.

Câmbio – De acordo com a estatal, a análise dos dados indica a semelhança entre a evolução dos custos de produção de soja no Brasil e a variação cambial ocorrida durante o período em análise. "Observa-se tendência de aumento no valor do custo por saca para a produção da soja ao mesmo tempo em que é visível a valorização do dólar frente ao real ao longo dos anos", assinalou a Conab.

"Esta relação entre as curvas é esperada e justifica-se pelo fato de os principais insumos utilizados, como fertilizantes e agrotóxicos, serem cotados na moeda estrangeira, o que acaba onerando ainda mais a produção da oleaginosa."

Representatividade dos custos – Segundo o estudo, fertilizantes, agrotóxicos, operações com máquinas, sementes e a depreciação de máquinas e implementos são os itens com maior peso nos custos de produção da soja no Brasil e chegam a representar 68,80% do custo operacional da produção de soja, considerando a média dos últimos nove ciclos. Em 2007/2008, essa participação era de 69,85%, enquanto em 2015/2016, chegou a 74,99%.

Fertilizantes: A Conab calculou ainda a participação dos principais insumos nos custos operacionais. No caso dos fertilizantes, essa proporção subiu de 25,99% em 2007/2008 para 28,31% em 2015/2016.

A média para as últimas nove safras foi de 27,82%. Segundo a Conab, as propriedades do solo ditam o que será aplicado em fertilizantes: enquanto os solos dos cerrados, em sua maioria deficientes em macro e micronutrientes, exigem uma adubação com foco na correção da acidez, os da Região Sul normalmente possuem maior fertilidade, mas necessitam de atenção quanto à reposição das carências geradas pelo uso intensivo.

A Conab apontou ainda que os municípios do Estado de Mato Grosso são os que possuem maior porcentual médio para a participação de fertilizantes na composição do custo operacional da soja.

Agroquímicos: Para os defensivos, a participação no custo operacional passou de 21,09% em 2007/2008 para 25,5% em 2015/2016, sendo que a média do período foi de 18,24%. Os resultados do estudo indicaram menor custo com agrotóxicos para soja transgênica em relação à convencional, devido à pequena economia com a utilização do insumo sobre cada hectare cultivado, mas a Conab assinalou que esse "não é mais o fator preponderante" para a escolha do agricultor.

"A opção pela tecnologia mais adequada deve buscar, obviamente, além de redução em seus dispêndios, o mercado que se pretende atingir na comercialização do seu produto", assinalou a Conab. "Nota-se atualmente o crescimento do mercado para a soja convencional brasileira, principalmente para exportação para a Europa e o Japão, o que tem proporcionado maior lucratividade em relação à produção da soja transgênica."

Sementes: O documento revela ainda a ampliação da participação das sementes no custo operacional ao longo dos anos. Em 2007/2008, essa proporção era de 5,33%, passando a 8,74% em 2015/2016, com média de 7,35% no período, o que, segundo a Conab, enfatiza "a crescente importância assumida pelo componente genético atrelado a este insumo e seu papel fundamental para a produção da oleaginosa no Brasil".

Segundo a estatal, a variação observada entre localidades e entre os sistemas de produção convencional e transgênico depende principalmente dos pacotes tecnológicos existentes em cada região, porque, conforme as particularidades de cada um dos pacotes, o custo com sementes pode ser diluído dentro dos custos provenientes de outras operações.

 ESTADÃO CONTEÚDO

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Fonte : Mapa