Missão do governo brasileiro vai a Rússia negociar embargo de carne

Representantes do Mapa acreditam que o problema está próximo de ser resolvido

por Estadão Conteúdo

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O setor mais afetado pelo embargo russo foi a suinocultura, que enfrentou grave crise nos primeiros meses da perda de mercado

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Enio Marques, embarcará nesta terça-feira (20/11) para Moscou, onde discutirá com representantes doserviço sanitário russo, o Rosselkhoznadzor, questões relacionadas ao embargo às importações de carnes brasileiras. O secretário disse à Agência Estado que, entre os pontos a serem discutidos, está um protocolo elaborado pelos técnicos brasileiros sobre normas estabelecidas para certificação pela União Aduaneira formada pela Rússia, Casaquistão e Bielo-Rússia. Ele afirmou que são mais de vinte certificados que exigem procedimentos específicos. "Vamos explicar em Moscou como fizemos a adequação das normas", disse ele.
Após quase dezoito meses de vigência do embargo imposto pelo governo russo às importações de carnes doRio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná, Enio Marques acredita que o problema está próximo de ser resolvido. Para ele, deve avançar ainda mais nas negociações entre os dois países durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Moscou, marcada para o dia 10 de dezembro.
O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS), disse à Agência Estado que está confiante em umasolução em breve para o impasse e salientou que esta é mais uma etapa nas negociações com os russos, que vêm sendo conduzidas desde que ele tomou no posse no cargo, em agosto do ano passado. Mendes Ribeiro afirmou que existem avanços nas negociações internacionais, citando também a China, mas observou que "muitas vezes não pode contar o que está acontecendo todos os dias".
O secretário afirmou que o governo já cumpriu uma série de etapas nas negociações com o serviço sanitário russo, como um relatório sobre a visita feita por uma missão no Brasil em março deste ano. Também foi enviado um relatório com o plano de ação das empresas que foram vistoriadas pelos russos. Ele disse que os russos poderiam retirar a restrição temporária de algumas empresas, caso o governo brasileiro certifique o cumprimento das recomendações do Rosselkhoznadzor.
O setor mais afetado pelo embargo russo foi a suinocultura, que enfrentou grave crise nos primeiros meses da perda de mercado. Os embarques de carne suína para o mercado russo caíram de uma média de 17 mil toneladas mensais entre janeiro a junho do ano passado, antes do embargo, para 2,8 mil toneladas no segundo semestre de 2011.
A situação começou a se normalizar em abril deste ano e a média mensal dos últimos sete meses ficou em 13,2 mil toneladas, apesar de a Rússia ainda manter as restrições. De janeiro a outubro deste ano foram exportadas 109,4 mil toneladas de carne suína para o mercado russo, volume 9,3% abaixo de igual período do ano passado. A receita acumulada nos primeiros dez meses ficou em US$ 313,7 milhões e recuou 16,6% em função da queda de 7,9% no preço médio.

Fonte: Globo Rural

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