Missão brasileira buscará reverter exigência saudita

Ana Paula Paiva/Valor

Turra, da ABPA: Técnicos do setor embarcaram hoje para a Arábia Saudita

Missão liderada por Eumar Novacki, secretário-executivo do Ministério da Agricultura, e Rui Vargas, vice-presidente técnico da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), embarcou na madrugada de hoje para a Arábia Saudita para tentar reverter a decisão daquele país de exigir mudanças no abate de frangos cuja carne é destinada a seu mercado. Foi o que adiantou ao Valor o presidente da entidade, Francisco Turra.

Os sauditas querem que os frigoríficos brasileiros deixem de abater frango com insensibilização elétrica. No entendimento de autoridades do país, a prática fere os preceitos muçulmanos, já que o animal morre antes da sangria. Os exportadores argumentam, porém, que a insensibilização elétrica não mata os frangos – depois de cerca de 40 segundos, as aves voltam a andar, dizem.

Para conferir lastro religioso aos argumentos técnicos do Ministério da Agricultura, Ali Saifi, diretor-executivo da Cidal Halal, maior certificadora de carne de frango halal do mundo, também acompanhará a missão liderada por Novacki. "Quero mostrar para eles, baseado na nossa experiência de anos, que o que estamos fazendo é adequado", afirmou Ali.

De acordo com o diretor da Cdial Halal, a reunião com os técnicos da Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos (SFDA, na sigla em inglês) ocorrerá na segunda-feira. Um dia antes, no domingo, a comitiva ministerial terá uma reunião com Saudi Agricultural and Livestock Investiment (Salic), gestora ligada ao reino da Arábia Saudita. A Salic é a segunda principal acionista do frigorífico Minerva Foods.

Para o Brasil, a exigência árabe, se as negociações fracassarem, entrará em vigor em abril. A medida não afeta apenas o Brasil, mas outros países estão tendo mais tempo para se adaptar – para os EUA, por exemplo, os sauditas querem que a mudança seja adotada para os embarques a partir de maio.

No ano passado, as exportações brasileiras de carne de frango para a Arábia Saudita renderam US$ 1 bilhão, ou 14,1% do total obtido com os embarques.

Após as negociações com os sauditas, Vargas vai a Bruxelas, onde acompanhará as tratativas que buscam evitar que a União Europeia imponha barreiras à carne de frango brasileira na esteira da Operação Trapaça, que investiga supostas fraudes praticadas pela BRF e por laboratórios na análise de presença de salmonela no produto.

O próprio ministério já proibiu que oito unidades da empresa exportem para a UE, mas argumentou que o problema é antigo e agora tenta reverter a situação. Independentemente disso, o governo brasileiro ainda ameaça questionar a UE na Organização Mundial do Comércio (OMC) pelas regras mais rígidas para a presença de salmonela em cortes de carne de frango salgado.

Depois de recuarem de forma expressiva no primeiro bimestre – a receita caiu 12,9% em relação ao mesmo período de 2016, segundo a ABPA -, as exportações de carne de frango do Brasil já deram sinais de reação em março, com destaque para a boa demanda de países como a África do Sul e a Rússia.

Por Fernando Lopes e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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