Ministro descarta faxina na Agricultura

Fonte: FOLHA DE S. PAULO – SP | DE BRASÍLIA

Wagner Rossi (PMDB) diz que não há corrupção e que irregularidades são "caso isolado"; Dilma não cobra explicações

Entrevista de irmão que foi exonerado da pasta faz líder do governo no Senado, Romero Jucá, se desculpar à presidente

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), negou ontem que haja um esquema de corrupção na pasta e descartou uma faxina. Segundo ele, houve apenas um "caso isolado de irregularidade" no ministério.

As declarações foram uma resposta a acusações feitas por Osmar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Em entrevista à revista "Veja", Neto disse que no Ministério da Agricultura "só tem bandidos" e acusou o ministro de comandar um suposto esquema de corrupção.

Neto foi assessor da CONAB (COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO) por um ano e diretor-financeiro do órgão por menos de um mês.

O ministro rechaçou as acusações e disse que o irmão do líder do governo é um "despreparado, que tenta colocar todo mundo no mesmo saco". "Não há faxina ou crise. A única irregularidade detectada foi feita pelo Oscar. Estamos passando todos os pagamentos em revista", disse o ministro.

De acordo com ele, o ex-diretor foi demitido após liberar um pagamento de R$ 8 milhões a um armazém em nome de laranjas. A Folha não localizou Neto.

Wagner Rossi, ligado ao vice-presidente Michel Temer (PMDB), admitiu que Oscar Neto foi alçado a diretor da CONAB por conta do parentesco com Romero Jucá.

APURAÇÃO

O ministro, contudo, assumiu uma "parcela de culpa" na nomeação. "Não vou dizer que não tenho parcela de culpa na escolha, mas cumpri minha responsabilidade ao colocá-lo para fora", disse.

Na primeira reunião com a cúpula do governo após os novos relatos de corrupção, a presidente Dilma Rousseff não cobrou explicações a respeito dos casos.

A atitude difere do comportamento da presidente na crise que atingiu o Ministério dos Transportes -onde 22 pessoas perderam cargos desde o início das acusações.

Presente à reunião, Romero Jucá não foi questionado pela presidente diante dos demais. Segundo ele, após o encontro, em reunião reservada, solicitada pelo senador, pediu desculpas pelas declarações do irmão e disse que desaprovava a conduta de Osmar Jucá Neto.

Ainda de acordo com Romero Jucá, "a presidente entendeu" a sua posição e disse que "Wagner Rossi está averiguando as acusações."

(FILIPE COUTINHO, BRENO COSTA, NÁDIA GUERLENDA CABRAL e GABRIELA GUERREIRO)

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