Ministério Público realiza operação contra adulteração de leite no Rio Grande do Sul

Para aumentar o lucro, fraudadores misturavam água e ureia ao leite durante o transporte do produto. Ordens de prisão estão sendo cumpridas em três cidades do Estado

Fernando Goettems

Foto: Fernando Goettems / Agencia RBS

Galpão onde grupo adulterava o leite

O Ministério Público do Rio Grande do Sul, com apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Receita Estadual e da Brigada Militar, desencadeou nesta quarta, dia 8, a Operação "Leite Compen$ado", com o cumprimento de 10 mandados de prisão e oito de busca e apreensão nas cidades de Ibirubá, Guaporé e Horizontina. Segundo a investigação, para aumentar o lucro, os fraudadores misturavam água e ureia ao leite. O esquema ocorria durante o transporte do produto, antes de o leite chegar à indústria.

As ordens de prisão estão sendo cumpridas nas cidades de Horizontina, no Noroeste, em Ibirubá, no Norte, e em Guaporé, na Serra. O Ministério Público suspeita que o esquema possa ter adulterado até 100 milhões de litros nos últimos 12 meses.

As investigações, realizadas pelas Promotorias de Justiça Especializada Criminal e de Defesa do Consumidor de Porto Alegre, em conjunto com o Ministério da Agricultura, mostram que cinco empresas de transporte de leite adulteraram o produto cru entregue para a indústria. Uma das formas de adulteração identificadas é a da adição de uma substância semelhante à ureia e que possui formol em sua composição, na proporção de 1 quilo deste produto para 90 litros de água e mil litros de leite.

A simples adição de água, com o objetivo de aumentar o volume, acarreta perda nutricional, que é compensada pela adição da ureia – produto que contém formol em sua composição – e é considerado cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A fraude foi comprovada através de análises químicas do leite cru, onde foi possível identificar a presença do formol, que mesmo depois dos processos de pasteurização, persiste no produto final. Com o aumento do volume do leite transportado, os "leiteiros" lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro.

As empresas investigadas transportaram aproximadamente 100 milhões de litros de leite entre abril de 2012 e maio de 2013. Desse montante, estima-se que um milhão de quilos de ureia contendo formol tenham sido adicionados. Amostras coletadas no decorrer da investigação em supermercados da Capital apontaram fraude em 14 lotes de leite UHT.

Confira lista divulgada pelo MP com os lotes das marcas onde a fraude foi comprovada:

– Italac
Integral
Lotes: L05KM3, L13KM3, L18KM3, L22KM4 e L23KM1

– Italac
Semidesnatado
Lote: L12KM1

– Bom Gosto/Líder
UHT Integral
Lote: TAP1MB

– Mumu
UHT Integral
Lote: 3ARC

– Latvida
UHT Desnatado
Registro 37/661

– Latvida
UHT Semidesnatado
Registro 48/661

– Latvida
UHT Integral
Registro 36/661

– Latvida
Semidesnatado
Registro 48/661

Latvida
Integral
Registro 24/661

Todos apresentaram adulteração por formol, conforme laudos de laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

MINISTÉRIO PÚBLICO DO RS

Fonte: Ruralbr

Compartilhe!