Ministério confirma disparada das exportações de soja e milho

Em baixa desde o início do ano em relação aos mesmos meses de 2014, a receita dos embarques do agronegócio brasileiro não fugiu à regra em outubro, mas o ritmo da queda arrefeceu. Ainda que os preços em dólar da maior parte dos produtos exportados pelo setor continuem menores, o forte aumento dos volumes de soja e milho vendidos na comparação com o mesmo mês do ano passado garantiu a "freada".

Estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) compiladas pelo Ministério da Agricultura mostram que as exportações setoriais renderam US$ 7,8 bilhões, 2,1% menos que em outubro de 2014. Na mesma comparação, as importações recuaram 26,9%, para US$ 1,1 bilhão, e, com isso, o superávit do campo registrou incremento de 3,4%, para US$ 6,7 bilhões.

"Apesar da queda dos preços internacionais, estamos aumentando os volumes vendidos para o exterior. Isso é a prova da competência do setor agropecuário do nosso país", afirmou a secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do ministério, Tatiana Palermo.

Foi esse movimento que garantiu o expressivo incremento da receita dos embarques de soja em grão e seus principais derivados (farelo e óleo) no mês passado. A receita total das exportações desses produtos, que lideram a balança do agronegócio brasileiro, aumentou 65,3% e superou a marca de US$ 1,6 bilhão em outubro.

Sozinhas, as exportações do grão renderam US$ 989 milhões, aumento de 173% em relação a outubro de 2014. No mês passado, contudo, a disponibilidade da matéria-prima era bem maior, por questões sazonais e também porque a produção da safra colhida neste ano (2014/15) cresceu e alcançou um recorde histórico.

Em segundo lugar no ranking dos principais produtos exportados pelo agronegócio brasileiro, as carnes registraram receita de US$ 1,2 bilhão em outubro, 28,4% menos que no mesmo mês do ano passado. Puxados pelo milho, os embarques de cereais, farinhas e preparações aumentaram 58,9%, para US$ 979,1 milhões, os de produtos florestais cresceram 2,5%, para US$ 969,2 milhões, os de açúcar e etanol diminuíram 23,6%, para US$ 863 milhões, e os de café caíram 20,2%, para US$ 552 milhões.

Principal mercado para as exportações brasileiras do agronegócio, a China, maior país importador de soja do mundo, comprou do setor US$ 1,3 bilhão em outubro, 78,3% mais que no mesmo mês de 2014. Até então, mesmo as importações chinesas apresentavam retrações nas comparações com os mesmos meses do ano passado. Os Estados Unidos permaneceram em segundo lugar no ranking dos principais destinos, com US$ 634,4 milhões (aumento de 14,8%), seguidos pelos Países Baixos, com US$ 491,4 milhões (queda de 6%).

Mesmo com a desaceleração da queda, nos primeiros dez meses do ano as vendas externas do agronegócio nacional ainda caíram 11% em relação a igual intervalo de 2014, para US$ 74,7 bilhões. Nessa comparação, as importações recuaram 20,8%, para US$ 11,2 bilhões, e o superávit setorial diminuiu 8,9%, para US$ 63,5 bilhões.

Na relação entre os dez primeiros meses de 2014 e 2015, as exportações de soja e derivados recuaram 13,6%, para US$ 26,1 bilhões, as de carnes caíram 16,1%, para US$ 12,2 bilhões, as de produtos florestais cresceram 3,2%, para US$ 8,6 bilhões, e as de açúcar e etanol foram 21,4% menores (US$ 6,8 bilhões).

Fonte : Valor

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