Minerva tem prejuízo, mas planeja investir

A Minerva Foods, que encerrou o quarto trimestre de 2012 com prejuízo de 21,8 milhões, ante lucro de R$ 15 milhões no mesmo periodo do ano anterior, anunciou que planeja investir até R$ 400 milhões em três anos para expandir as operações.

O presidente da empresa, Fernando Galletti de Queiroz, afirmou, em entrevista sobre os resultados, que os aportes serão feitos sem aumento da alavancagem. "Decidimos ir para um novo ciclo de investimentos. Não vamos investir mais do que gerarmos em caixa livre". Esse ciclo prevê a diversificação da localização de fábricas – ou seja, a possibilidade de aquisições ou arrendamentos de unidades no Brasil, Colômbia e outros países da América do Sul.

Além disso, a empresa também vai investir na ampliação de sua rede de distribuição no país para atender principalmente o pequeno e médio varejo. Hoje, a Minerva tem 12 centros de distribuição (dois recém-anunciados) e deve abrir outros quatro nos próximos quatro anos. Também planeja dobrar a capacidade de processamento e o faturamento da área de food service até 2015.

Queiroz disse que os aportes para o crescimento dependerão da geração de caixa da companhia. De acordo com o diretor-financeiro Edison Ticle, a empresa "só irá ao mercado se for para captar recursos com custos mais baixos" do que os das dividas que detém atualmente.

Segundo Ticle, no fim de 2012, a Minerva fez operações que permitirão reduzir o custo de suas dívidas em R$ 40 milhões a R$ 45 milhões por ano a partir de 2014. "A redução das despesas financeiras permite mais geração de fluxo de caixa livre. E permite colocar em prática o plano de investimentos".

No fim de 2012, a empresa resgatou uma debênture de R$ 200 milhões que venceria em 2015 e emitiu um bond no valor de US$ 850 milhões, com vencimento em 2023. Com essa captação, recomprou títulos que venceriam em 2017, 2019 e 2022. Segundo Ticle, com a operação, o custo da dívida caiu de 11% ao ano para 7,75%.

No quarto trimestre, a Minerva teve um fluxo de caixa livre aos acionistas de R$ 63,9 milhões. Segundo a companhia, foi o quinto trimestre consecutivo de fluxo positivo. No ano de 2012, foram R$ 200 milhões. Outro dado positivo no balanço divulgado: a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem (relação entre dívida liquida e Ebitda) para 2,8 vezes no último trimestre de 2012. Um ano antes, eram 3,65 vezes.

O diretor-financeiro reafirmou que a meta é reduzir a relação entre dívida líquida e Ebitda para 1,5 vezes a 2 vezes até o primeiro semestre de 2015. A empresa fechou o último trimestre de 2012 com dívida líquida de R$ 1,331 bilhão.

Ele explicou que o prejuízo de R$ 21,8 milhões da Minerva no quarto trimestre é resultado da reversão de um crédito de imposto de renda diferido de R$ 44 milhões por conta da incorporação da MDF, empresa de processados. O resultado líquido antes do imposto de renda foi um lucro de R$ 25,1 milhões no quarto trimestre ante R$ 5,1 milhões no último trimestre de 2011.

Já o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) no quarto trimestre ficou em R$ 145,1 milhões, 18,8% mais do que no último trimestre de 2011. A empresa divulgou também um Ebitda ajustado de R$ 121,5 milhões, por conta da receita não recorrente de R$ 23 milhões em função da aquisição do Frigomerc, no Paraguai, em setembro de 2012. A margem Ebitda da Minerva no quarto trimestre foi de 12% – havia sido de 11,2% no mesmo intervalo de 2011. A margem ajustada foi de 10,1% ante 10,7% no quarto trimestre de 2011. A receita líquida no periodo cresceu 10,3%, para R$ 1,206 bilhão, sendo 67% proveniente de exportações, segundo destacou Fernando Galletti de Queiroz.

No ano de 2012, a Minerva Foods teve uma receita líquida pro-forma de R$ 4,595 bilhões, 15,6% acima das vendas de 2011. O número é pro-forma pois considera uma receita de R$ 218 milhões do Frigomerc, como se o frigorífico já estivesse sob controle da Minerva desde o início do ano passado.

O resultado liquido da companhia em 2012 também foi negativo em R$ 199 milhoes, ante lucro de R$ 41 milhoes em 2011. Segundo Ticle, a desvalorização cambial no ano passado teve um impacto de R$ 245 milhões no balanço (não contábil) da Minerva, o que levou a companhia ao prejuízo. O Ebitda em 2012 foi de R$ 494,2 milhões, 50% mais do que no ano anterior, considerando os dados pro forma com o Frigomerc. O Ebitda ajustado pro forma (desconsiderando o ágio de R$ 24 milhões com a aquisição do frigorífico paraguaio) foi de R$ 475,2 milhões, alta de 36,8% sobre 2011.

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Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

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