Minerva tem lucro, mas dívida cresce no trimestre

Dado Galdieri/Bloomberg

Impulsionada pelo salto nas vendas da carne bovina nos mercados interno e externo, a Minerva Foods, terceira maior processadora de carne bovina do país, obteve um lucro líquido de R$ 5,2 milhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo prejuízo de R$ 66,7 milhões registrado no mesmo intervalo de 2012.

Entre janeiro e março deste ano, a receita líquida da Minerva somou R$ 1,195 bilhão, alta de 26,6% sobre os R$ 944,1 milhões reportados pela companhia no mesmo período de 2012. A receita com as vendas externas cresceu 28,5%, para R$ 848,1 milhões, enquanto que a receita no mercado interno subiu 21,9%, para R$ 421,8 milhões.

Do faturamento total, cerca de 70,9% foram originados nas exportações de carne bovina. "O Brasil voltou à liderança nas exportações mundiais de carne bovina", destacou o diretor-presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, citando o melhor momento do país, que tem a seu favor a restrição de oferta de gado nos EUA e União Europeia. No mercado interno, a empresa não sentiu o impacto da inflação. "No nosso caso, a queda de preço de carne bovina acabou ajudando o consumo", acrescentou o diretor-financeiro da companhia, Edson Ticle.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Minerva chegou a R$ 100,4 milhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 30% sobre igual período do ano passado. A margem Ebitda passou de 8,2% no primeiro trimestre 2012 para 8,4% no mesmo intervalo deste ano.

A empresa informou ainda que registrou um prejuízo financeiro de R$ 72 milhões no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2012, teve um resultado negativo de R$ 138 milhões. De acordo com Ticle, pesaram sobre o resultado financeiro da companhia os gastos de R$ 86 milhões com juros passivos e outras despesas financeiras da ordem de R$ 14 milhões. Ticle afirmou que o resultado ainda não contabiliza a melhora na estrutura de capital feita pela companhia. Em fevereiro deste ano, a Minerva concluiu emissão US$ 850 milhões em bonds no exterior. Com essa captação, recomprou títulos que venceriam em 2017, 2019 e 2022.

No fim de março de 2013, a Minerva registrava uma dívida líquida de R$ 1,530 bilhão, ante R$ 1,332 bilhão no fim do trimestre imediatamente anterior e de R$ 1,4 bilhão um ano antes. Com isso, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da companhia passou de 2,8 vezes no fim do ano passado para 3,1 vezes em março deste ano.

Segundo Ticle, a elevação do endividamento da companhia deve-se à maior necessidade de capital de giro, impactada pela valorização de cerca de 2% nos preços do boi no primeiro trimestre. "Usamos um pouco o espaço aberto com a desalavancagem do ano passado para comprar mais boi à vista", disse. O boi responde por cerca de 80% dos custos de produção da Minerva.

Para o segundo trimestre, no entanto, a expectativa é de preços menores do que no primeiro trimestre. Na avaliação do executivo, as chuvas mais intensas no início do ano ampliaram o poder de barganha dos pecuaristas, uma vez que os pastos em melhores condições favorecem a retenção do gado. No entanto, com a chegada do período mais seco, a tendência é que esse estoque de boi acumulado seja enviado para o abate.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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