Minerva Foods sinaliza ‘apetite’ por aquisições para elevar a capacidade

Fortalecida pelos resultados alcançados no terceiro trimestre e um caixa de R$ 920 milhões, a Minerva Foods, terceira maior processadora de carne bovina do país, definiu sua estratégia de aquisições para 2013. De olho na maior oferta de gado, a empresa mantém o apetite por ativos que ampliem a capacidade de produção e, ao mesmo tempo, reduzam os ainda elevados índices de endividamento da companhia.

"Sempre analisamos as oportunidades, mas só vamos nos movimentar se a aquisição tiver efeito neutro ou positivo para a desalavancagem da empresa", afirmou ontem o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, em teleconferência com analistas sobre os resultados da empresa no terceiro trimestre deste ano.

A empresa divulgou seu balanço trimestral na noite de quarta-feira e reportou um lucro líquido (atribuído aos sócios da empresa controladora) de R$ 21,3 milhões. O montante é ligeiramente superior aos R$ 20,6 milhões informados no release da Minerva protocolado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conforme informou o Valor ontem.

O desempenho operacional da Minerva ficou 8% acima esperado pelo mercado, conforme relatório do banco Barclays. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia no período foi de R$ 134,5 milhões. Apesar do resultado, ações da Minerva na BMF&Bovespa caíram 2,17% ontem, num movimento de realização de lucros, conforme um fonte de mercado. Em 2012, os papéis da empresa acumulam valorização de 140,07%.

A estratégia de aquisições desenhada pela Minerva seguirá o exemplo da compra, em setembro, do frigorífico paraguaio Frigomerc, disse o diretor-financeiro da empresa brasileira, Edison Ticle. Na ocasião, o negócio foi fechado por R$ 35 milhões. Desse total, R$ 10 milhões podem ser pagos em ações da Minerva.

Segundo Ticle, o frigorífico paraguaio deve gerar um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de cerca de R$ 13 milhões no ano. Com isso, diz ele, a relação entre o preço de aquisição e o Ebitda é de 2 vezes. "Hoje, a Minerva tem uma alavancagem de 3,7 vezes. Trazendo esse índice de 2 vezes do Frigomerc, reduzimos a alavancagem na margem", argumentou. A empresa fechou o terceiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 1,64 bilhões.

O presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, ressaltou que as possíveis aquisições devem respeitar a estratégia da companhia e, portanto, se concentrarem em operações de carne bovina na América do Sul. Atualmente, a empresa conta com 11 unidades de abate e desossa, sendo duas no Paraguai, uma no Uruguai e o restante no Brasil.

"A produção bovinos está menos competitiva no Hemisfério Norte", disse Galletti de Queiroz, referindo-se aos elevados preços do grãos usados na ração animal. Nesse contexto, destaca, o Brasil deve abocanhar mais mercado nas exportações, especialmente para os países emergentes.

No caso do mercado interno, a Minerva tem a elevação dos custos de grãos a seu favor, que dificulta as operações de empresas de carne de frango e suína, como a BRF – Brasil Foods e a Seara, do grupo Marfrig. "Tradicionalmente, o quarto trimestre já é o melhor do ano. Com as proteínas concorrentes subindo de preço, você tem um efeito de substituição para a carne bovina", justificou Galletti de Queiroz.

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Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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