Milho reage, apesar de oferta abundante

Alf Ribeiro/Folhapress / Alf Ribeiro/Folhapress
Plantio da segunda safra de milho no Paraná, no início do ano: lotes oferecidos por cooperativas também subiram no Estado

Apesar da grande oferta de milho disponível, os preços do grão reagiram nos últimos dias no mercado doméstico, já que soou entre os compradores um sinal de alerta em consequência do enxugamento dos estoques.

"O mercado interno está bem parado. Os negócios são pontuais, de pouco volume, mas chamam a atenção por terem preços mais altos", afirma Bruno Perottoni, analista da corretora Terra Investimentos. Com a necessidade de reposição dos estoques, os compradores cederam aos preços mais elevados pedidos pelos produtores que, bastante capitalizados, não vinham hesitando em reter o cereal justamente à espera de uma valorização.

De acordo com Francisco Peres, analista e operador de mercado da Labhoro Corretora de Mercadorias, a saca de 60 quilos nos municípios de Sorriso e Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, chegou a sair por R$ 10,00 a R$ 10,50 nos últimos dez a quinze dias, ante os R$ 9 que prevalecia há dois meses.

"Esses valores, contudo, ainda estão muito longe do preço mínimo no Estado, na casa dos R$ 13", disse. Em Primavera do Leste e Campo Verde, no sul de Mato Grosso, os negócios também estavam sendo fechados na última semana com valores entre R$ 1 e R$ 1,50 mais elevados, com a saca de milho sendo vendida agora por R$ 13,50 a R$ 14.

"Estamos em novembro e, por enquanto, o produtor mato-grossense tem dinheiro e espaço que o permitem armazenar o milho. Mas a situação começa a mudar em janeiro, quando entra a nova safra de soja", lembrou Peres, para quem o movimento de valorização deve ter vida curta.

Segundo o corretor, no entanto, o volume de milho disponível seria menor que as 7,9 milhões de toneladas apontadas pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). "Achamos esse número exagerado. Estimamos que exista algo entre 5,5 milhões e 6 milhões de toneladas no Estado. Mesmo assim, é um volume significativo que se somará às cerca de 25 milhões de toneladas de soja previstas para serem colhidas".

No Paraná, os lotes oferecidos por cooperativas e cerealistas também apresentaram valorização, mas menor que em Mato Grosso. A saca estava sendo negociada com valores adicionais de R$ 0,50 a R$ 0,70, a R$ 22,50 em Londrina, entre R$ 22,50 e R$ 23 em Pato Branco e de R$ 20,50 a R$ 21 em Cascavel.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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