Mesmo com previsão de chuva, agonia dos rios no Rio Grande do Sul deve durar até a segunda quinzena de junho

Desde a primavera passada não chove com frequência no Estado

Joice Bacelo e Marielise Ferreira joice.bacelo@zerohora.com.br; marielise.ferreira@zerohora.com.br

Miro de Souza

Foto: Miro de Souza / Agencia RBS

Fenômeno climático La Niña, que afeta a região, tem como consequência a escassez dachuva

Mesmo com previsão de chuva para todas as regiões até a próxima sexta-feira, a agonia dos rios do Rio Grande do Sul ainda deve durar por, pelo menos, mais 20 dias. O período de chuvas regulares está previsto somente para depois da segunda quinzena de junho, mesma época em que a temperatura deverá despencar – marcando, enfim, a permanência do frio no Estado.
Desde a primavera passada não chove com frequência no Estado. O motivo é a interferência do fenômeno climático La Niña, que tem como consequência a escassez da chuva e se estendeu dos últimos meses de 2011 até abril deste ano, e se aproxima de completar sete meses. Com o fim do fenômeno, o processo é de transição e, de acordo com a meteorologista Estael Sias, é por isso que o clima ainda carrega características do La Niña.
Em Porto Mauá, na região Noroeste do Estado, o nível do Rio Uruguai baixou tanto que se tornou possível cruzar a pé de uma costa a outra – ou seja, do Brasil à Argentina. Até o caminho à principal ilha da cidade, próximo aos pavilhões da Festa dos Navegantes, ficou mais acessível, nesse trecho o nível máximo da água atinge somente 40 centímetros. Está tão baixo que, no dia 16 de maio, cinco moradores de Porto Mauá fizeram um churrasco no meio do rio.
Conforme a Central de Meteorologia da RBS, a quantidade prevista de chuva para os próximos dias é de, no máximo, 40 milímetros – volume que não deve fazer efeito nos níveis dos rios. No sábado, volta a fazer sol e a previsão é de tempo firme em todo o Estado.
A partir da segunda quinzena de junho haverá frentes frias mais intensas – que devem, inclusive, provocar temperaturas negativas – e a ocorrência de ciclone, que tem como consequência a possibilidade de chuvas mais persistentes e em maior quantidade. Já para o segundo semestre do ano, um novo fenômeno, também conhecido dos gaúchos, deverá interferir no clima. Entre o final do inverno e o início da primavera, é o El Niño quem se apresenta.
– Até o final do ano é bem provável que o Rio Grande do Sul saia de um cenário de seca para um de excesso de chuva – informa Estael Sias.
Racionamento atinge municípios do Norte
A situação crítica no abastecimento de água se arrasta desde o começo de novembro no norte do Estado e mantém quatro municípios com racionamento de água decretado.
Erechim: o racionamento completou, na terça-feira, 46 dias. São 14 horas de cortes por dia em dois setores diferentes e o nível da barragem de captação da Corsan continua a cair. Nesta semana, o lago estavam 3,07 m abaixo do normal. Sem chuvas, a companhia está levando 2,4 milhões de litros de água por dia, com caminhão-pipa, até a estação de tratamento, para atender a demanda da população. A água é captada em rios de municípios da região com cerca de 15 caminhões que fazem várias viagens por dia.
Benjamin Constant do Sul: tem racionamentos há mais de 75 dias. Das 7h às 11h e das 13h às 18h, as torneiras estão secas. A prefeitura está comprando água de poços artesianos em municípios vizinhos, para não deixar a população totalmente sem água.
Floriano Peixoto: desde o começo de janeiro a população fica sem água das 13h às 17h. A medida foi instaurada sob forma de prevenção, para permitir que os poços recuperassem um pouco da vazão, mas hoje, a medida se mantém por necessidade. Três poços abastecem o perímetro urbano e um quarto foi perfurado, mas a prefeitura não tem verba de R$ 350 mil, necessárias para fazer a canalização de cinco quilômetros do poço até a cidade. Na área rural as família recebem água com caminhão-pipa, para manter as criações e até para o consumo humano.
Centenário: a cidade fica sem água durante a noite toda. Das 19h às 7h do dia seguinte, o abastecimento é suspenso. O interior do município só recebe água com caminhão-pipa, retrato que se repete em pelo menos 20 municípios do norte do Estado. Um poço já existente será ampliado na próxima semana, em busca de água para solucionar o problema causado pela seca.

Veja a matéria original em Zero Hora

Fonte: Ruralbr | ZERO HORA

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