Mercados menos tradicionais no foco do setor

Ruy Baron/Valor

Márcia Nejaim diz que meta é ampliar em 30% a 35% as exportações de frutas

Diante da baixa participação no mercado externo e da falta de acordos comerciais entre Brasil e grandes importadores, a cadeia produtiva de frutas nacional, em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), resolveu fortalecer uma estratégia de acesso a mercados com foco em países que ainda importam volumes pequenos do Brasil.

Em vez de mirar apenas importadores tradicionais, como a Europa, produtores e Apex passaram a buscar a ampliação das exportações para países do Leste Europeu e Oriente Médio e a promover mais visitas de compradores dessas regiões para grandes polos de produção de frutas, como a Serra Gaúcha ou o Vale do São Francisco.

Hoje e amanhã, 17 compradores de 10 países como Rússia, Ucrânia, Polônia, Reino Unido, Holanda, Suécia, Grécia, Irlanda, Emirados Árabes Unidos e Omã estarão em São Paulo para 385 rodadas para negociar compras de manga, limão, maçã, uva, melão, mamão, entre outras frutas brasileiras.

Segundo a diretora de Negócios da Apex-Brasil, Márcia Nejaim, esses países já compram frutas do Brasil, mas em volumes pequenos. Dentro dessa estratégia, em vez de todos os anos levar empresas brasileiras para participar de grandes feiras em Berlim, na Alemanha, ou Madri, na Espanha, a agência decidiu promover visitas de importadores ao Brasil. Essa iniciativa começou em 2014, quando as 28 empresas participantes do projeto exportavam US$ 30 milhões. Hoje já são 50 companhias, que embarcaram US$ 457 milhões em frutas para vários países em 2017.

As exportações brasileiras de frutas somam por US$ 840 milhões ao ano, resultado que não chega a representar 3% da produção interna do país, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, compilados pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas Abrafrutas).

Durante esses dois dias em que estiverem no Brasil, haverá, por exemplo, grupos de compradores conhecendo pomares de limão em Mogi Mirim (SP), de manga e uva em Petrolina (PE) e de melão em Mossoró (RN).

"Nossa meta é aumentar de 30% a 35% as exportações de frutas por ano com esse projeto, enfatizando a ideia de mostrar para os exportadores mercados que não são óbvios", afirma Nejaim.

Outra estratégia é apostar em "janelas de mercado" para as frutas brasileiras. Assim, o Brasil poderia aproveitar momentos em que outros países exportadores estão fora do mercado, em decorrência da entressafra, por exemplo.

Luiz Roberto Barcelos, presidente da Abrafrutas, diz que as exportações brasileiras de frutas ainda são "ínfimas" em relação a outros produtores sul-americanos, como Chile e Peru, cujos embarques já ultrapassaram US$ 3 bilhões anuais. "A maioria dos países que exporta para a Europa são livres de imposto de importação por conta de acordos de livre comércio, mas o Brasil como não tem, paga 10% em média", afirma Barcelos

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor