Mercado internacional de lácteos sob pressão neste semestre

O mercado internacional de lácteos começou 2016 pressionado e deve continuar assim no primeiro semestre deste ano, acreditam analistas. No leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) – que é referência para o mercado de lácteos -, realizado ontem, os preços dos leites em pó integral e desnatado voltaram a registrar queda.

As cotações do integral caíram 4%, saindo de um valor médio de US$ 2.304 por tonelada no leilão de 15 de dezembro, para US$ 2.210, conforme dados divulgados pela plataforma. Já o leite em pó desnatado alcançou valor médio de US$ 1.890 por tonelada, levemente abaixo dos US$ 1.891 de 15 de dezembro passado.

A nova queda registrada neste início de ano reflete o nível elevado de produção de leite na União Europeia – após o fim do sistema de cotas, desde abril de 2015 – e nos Estados Unidos. Decorre ainda do recuo da demanda da China, que vem reduzindo suas importações de lácteos desde o ano passado. Outro importador relevante, a Rússia, também tem demandado menos.

De acordo com Valter Galan, analista da MilkPoint, consultoria especializada em lácteos, a produção deve avançar 1% a 2% na Europa e 0,5% a 1% nos EUA. "Há um crescimento em cima de uma produção que já é grande", afirma.

Ele acrescenta que os estoques de leite em pó desnatado estão em níveis elevados na UE, o que também pressiona o mercado. Em outubro passado, segundo Galan, eram 51 mil toneladas em estoques. Um ano antes, os volumes estocados somavam 12 mil toneladas no bloco.

Diante do quadro de oferta grande e preços baixos do leite, a tendência é que a produção da matéria-prima cresça em ritmo mais lento nos países da União Europeia, avalia o analista. Segundo ele, já há relatos de empresas europeias pagando bônus a produtores que entregarem menos leite. Na Nova Zelândia, a estimativa também é de uma queda de 6% na produção de leite na safra 2015/16.

O especialista da MilkPoint mantém a expectativa de que os preços dos lácteos no mercado internacional comecem a se recuperar no segundo semestre deste ano. Isso vai depender, em grande parte, da volta da China ao mercado. Mas quando isso vai ocorrer ainda é uma incógnita, admite.

Para o Brasil, a expectativa da MilkPoint é de queda de 2% a 3% na produção de leite no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período de 2015, quando ficou em 11,8 bilhões de litros, conforme o IBGE. Segundo Galan, os maiores custos por causa da alta de milho e da soja e o recuo no preço do leite desestimulam a produção.

Fonte: Valor | Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

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