Mercado de eucalipto arrefece em São Paulo

Anna Carolina Negri/Valor
Valor da produção florestal paulista alcançou R$ 4,7 bilhões em 2011, uma queda de 2,3% em relação ao ano anterior; preços ao produtor também recuaram

Marcante em São Paulo na última década, a expansão do cultivo de eucalipto para diferentes finalidades arrefeceu no ano passado e os preços pagos aos produtores registraram quedas.

Conforme levantamento divulgado no fim de abril pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria da Agricultura do Estado, a produção de madeira de eucalipto somou 44,2 milhões de metros cúbicos no ano passado, 1,1% a menos do que em 2010.

Já o valor da produção florestal paulista, que inclui madeira e resina de pinus, sofreu leve queda na mesma comparação, de R$ 4,8 bilhões para R$ 4,7 bilhões.

Nesse contexto, outro estudo do mesmo IEA, divulgado na semana passada, sinalizou que as cotações médias ao produtor caíram em três dos quatro principais mercados da madeira – que são energia, processamento (voltado às indústrias de papel e celulose), tratamento e serraria.

Para energia, o preço médio de 2011 recuou 6,4% em relação ao de 2010, para R$ 53,52 por metro cúbicos; para processamento, a queda foi de 2%, para R$ 47,94, enquanto para serraria foi de 1,9%, para R$ 119,80. Na contramão, a madeira para tratamento subiu 3,9%, para R$ 74,38.

No primeiro quadrimestre deste ano, não houve muito refresco. A média de preços da madeira para energia caiu para R$ 51,77 o metro cúbico, ao passo que no processamento subiu para R$ 48,33, para serraria chegou a R$ 120,90 e para tratamento, atingiu R$ 74,15.

De acordo com o instituto, a crise econômica mundial, o menor consumo de energia proveniente da madeira em segmentos como frigoríficos, torrefadoras e indústrias alimentícias, entre outros, e a produção relativamente estável das empresas de papel e celulose afetaram a atividade.

Conforme a Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), em 2011 a produção de celulose, por exemplo, foi de 13,9 milhões de toneladas de celulose, ante 14,1 milhões em 2010.

O pesquisador Eduardo Pires Castanho Filho, do IEA, também não descarta a influência da oferta abundante no mercado. "Nos anos 90, São Paulo importava 20% de madeira de eucalipto de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná para o uso de energia. Hoje esse índice não passa de 5%", compara.

O pesquisador nota que a cultura começou a atrair um número maior de pequenos e médios produtores nos últimos anos, o que também engordou a oferta. Dos 800 mil hectares de eucaliptais em São Paulo, 20% já estão nas mãos de 44 mil pequenos e médios.

Segundo Castanho Filho, a cultura avançou muito em áreas de pastagens nos últimos anos, já que os solos podem ser pouco férteis. Mesmo assim, após ser cortada, a árvore brota por mais duas vezes, em um ciclo que dura 15 anos.

O pesquisador reforça que, apesar da queda do ano passado, o segmento permaneceu em terceiro lugar no ranking do valor da produção da agropecuária paulista – que, no total, somou R$ 59,6 bilhões. A lista é encabeçada pela cana (R$ 26,4 bilhões) e pela carne bovina (5,9 bilhões).

Fonte: Valor | Por Janice Kiss

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