Mercado de aviões para agricultura segue firme

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor
Fábio Carretto, gerente de vendas da divisão agrícola da Embraer: de 80% a 85% das vendas foram financiadas, e o restante foi fechado com recursos próprios

A divisão agrícola da Embraer, que produz a aeronave Ipanema, registrou um aumento de 45% nas vendas em 2011, que chegaram a 60 unidades, e prevê repetir essa performance em 2012.

O Ipanema é a aeronave de maior longevidade e produção (1.200 unidades) da história da indústria aeronáutica nacional, e sua evolução, com o desenvolvimento da versão que voa abastecida com etanol, transformou-o também em um símbolo de sustentabilidade, já que se trata do único avião no mundo com motor certificado para voar com etanol hidratado, o mesmo combustível utilizado em automóveis.

No ano passado, cerca de 30% das vendas do Ipanema foram para clientes de São Paulo, onde a Embraer registrou um salto de 300% nos negócios com os produtores rurais do Estado. "O crescimento da lavoura da cana-de-açúcar e a renovação da frota antiga de aeronaves foram os principais responsáveis por este incremento das vendas em São Paulo", explica o gerente de vendas da divisão agrícola da Embraer, Fábio Bertoldi Carretto.

Além do bom momento vivido pelo agronegócio, afirma Carretto, a linha de financiamento oferecida pelo Finame Agrícola, do BNDES, também ajudou a alavancar os negócios da empresa.

Em 2011, entre 80% e 85% das aeronaves Ipanema vendidas pela Embraer foram financiadas e de 20% a 25% dos negócios foram fechados com recursos próprios dos clientes. Outras fontes de financiamento que vêm sendo utilizadas pelos clientes do Ipanema são os Fundos Constitucionais do Centro-Oeste (FCO) e do Nordeste (FNE).

"As taxas de juros foram reduzidas pela metade, na faixa de 5,5% ao ano, e isso estimulou bastante a compra de novas aeronaves para atender ao crescimento da demanda no agronegócio", disse Bruno Vasconcelos, diretor executivo da Sana Agro Aérea.

Com uma frota de 12 aeronaves Ipanema próprias e uma arrendada, a Sana também aproveitou as vantagens do financiamento para comprar a aeronave de número doze, entregue pela Embraer em janeiro deste ano. O foco de atuação da empresa, segundo o executivo, está em São Paulo e Minas, sobretudo para a pulverização de insumos nas culturas de cana, citrus e florestas de eucalipto e pinus.

"A pulverização aérea é um dos métodos mais inteligentes e eficazes de mecanização do campo. Além de alta produtividade em termos de hectares por hora, conseguimos maior uniformidade na aplicação e evitamos perdas na colheita causadas por amassamento na cultura", ressaltou. A aplicação por avião, segundo ele, pode ser feita em terrenos acidentados, onde os tratores não alcançam, e também em períodos de chuva.

No Brasil, de acordo com o gerente da Embraer, entre 85% e 90% das vendas de Ipanema já são da versão que voa com etanol. "A procura por aviões a gasolina é maior na região Sul do país, que possui a frota mais antiga e representa 30% do total de Ipanema em operação hoje no país". Do total de Ipanema comercializado pela Embraer, 40% opera na região Centro-Oeste do Brasil.

O Ipanema é utilizado principalmente na pulverização de defensivos agrícolas e, na atual versão, pode carregar até 900 litros de produto. Segundo Carretto, a aeronave custa R$ 700 mil e pode fazer até 120 hectares por hora. Seu principal concorrente são os pulverizadores terrestres, que abocanham entre 85% e 90% desse mercado, mas com a desvantagem na produtividade.

"Os equipamentos terrestres pulverizam apenas 50 hectares por hora", ressaltou. Outra vantagem competitiva que o executivo destaca para a utilização do avião movido a etanol é o custo do combustível. "O litro da gasolina de aviação varia de R$ 3,85 a R$ 3,90, enquanto o litro do etanol sai por cerca de R$ 1,60 a R$ 1,65". Além do preço atrativo e do menor impacto ambiental, o Ipanema movido a etanol é 7% mais potente do que a versão a gasolina, afirma Fábio Carretto.

Desde o ano passado, a divisão agrícola da Embraer esforça-se para colocar o Ipanema em outros países. Para os próximos dois anos, as apostas são Argentina, Paraguai e Uruguai, onde a aeronave já é homologado para operar e pode ser vendida na versão que utiliza gasolina de aviação.

O Brasil tem a segunda maior frota de aviões agrícolas do mundo, com cerca de 1.500 unidades. A Embraer já comercializou mais de 1.200 unidades do Ipanema, e aproximadamente 1.000 delas estão em operação.

Fonte: Valor | Por Virgínia Silveira | Para o Valor, de São José dos Campos (SP)

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