Menos conflito de preço no mercado de algodão

Davilym Dourado/Valor / Davilym Dourado/Valor
Marco Antonio Aluisio, presidente da Anea, diz que oscilação de preços foi menor, por isso problemas serão "mínimos"

Depois de "explodir" em 2012, com a oscilação recorde das cotações do algodão na bolsa de Nova York, o número de processos de arbitragem entre compradores e vendedores da pluma no Brasil tende a recuar nesta temporada. A colheita foi concluída este mês e a maior parte da produção já foi entregue para cumprir contratos. Até agora, nenhum pedido de arbitragem referente a esta safra foi aberto na Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), que registra negócios que representam 70% da produção do país.

"A oscilação de preços foi menor e a safra também. Acredito que os problemas serão mínimos", afirma o presidente da Associação dos Exportadores de Algodão (Anea), Marco Antonio Aluisio. Em 2013, a BBM registrou a abertura de 11 processos de arbitragem em contratos de algodão, mas todos referentes a negócios da safra passada, a 2011/12. Ainda assim, bem abaixo do registrado em 2012, quando a bolsa recebeu pedido de abertura de 47 processos de arbitragem. Naquele ano, as cotações da pluma chegaram a oscilar 183% no mercado internacional, saindo de 0,73 centavos de dólar por libra-peso, para US$ 2,07.

Nos últimos doze meses encerrados em 15 de outubro deste ano, as cotações do algodão oscilaram 16% em dólares na bolsa de Nova York. Por conta da oscilação menor e do próprio tamanho da safra brasileira 2012/13 – de 1,2 milhão de toneladas, ante 1,9 milhão de toneladas de 2011/12 -, o número de conflitos tende a diminuir, diz o gerente de operações de mercado agropecuário da BBM, Cesar Henrique Bernardes Costa. "Houve uma variação, sobretudo do dólar na fase pré-colheita, mas não foi uma variação abrupta", avalia.

Apesar de a colheita já ter acabado no país, ainda há, segundo ele, 30% da colheita – em torno de 360 mil toneladas – nas mãos dos produtores rurais. "As entregas ocorrem, normalmente, até janeiro. Ou seja, podem até surgir alguns problemas até lá. Mas a tendência é de que sejam poucos", afirma.

O coordenador do Comitê de Algodão da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Alexander Kurre, afirma que há neste momento algumas discordâncias de preços em contratos entre produtores e indústrias têxteis, mas muito pontuais, uma vez que o volume de compras feitas antecipadamente diminuiu bastante após as fortes oscilações de preços ocorridas nos anos anteriores. "A indústria têxtil está comprando algodão da mão para a boca. Há um volume pequeno de contratos antecipados", observa.

Criada em 2002 a partir da migração das corretoras de algodão da BM&F, a BBM iniciou o trabalho de sua câmara de arbitragem em 2005. Todos os contratos de compra e venda da pluma registrados na bolsa têm como cláusula a instauração de uma arbitragem para resolver conflitos entre as partes, a maior parte envolvendo discordância de valores.

Geralmente, as diferenças são resolvidas nessas audiências. Mas quando não se chega a um acordo, define-se a sentença que, se não cumprida pelas partes, leva à inclusão do nome do inadimplente na lista do Comitê para Cooperação Internacional entre as Associações de Algodão (Cicca, na sigla em inglês).

O ano de 2013 ainda não acabou, mas já há sete novos nomes vindos do Brasil nessa espécie de lista internacional, que inclui os maus pagadores dos principais países exportadores e importadores da pluma. O número já supera as listas de 2012 e de 2011 e só não é maior do que as de 2008 e 2009. Entre os nomes do Brasil, estão produtores rurais de Mato Grosso, Bahia, cooperativas e indústrias têxteis. "Essa lista geralmente reflete processos iniciados há um ou dois anos", afirma Marco Antonio Aluisio, da Anea. Não há casos referentes à atual safra, segundo ele.

As oscilações de preços estão diretamente relacionadas a não cumprimento de contratos, ou seja, quanto maior essa volatilidade nas cotações, maiores as chances de desacordo nos valores acertados. "Esse raciocínio não se restringe ao Brasil. Mas a todos os outros mercados", afirma o presidente da Anea.

Na lista da Cicca há atualmente 54 nomes brasileiros inseridos entre 1988 e 2013. A China tem 75 nomes, dos quais 31 foram inseridos em 2013, reflexo provavelmente das oscilações ocorridas em 2011. A Índia tem ao todo 83 nomes na lista, dos quais dois de 2013, e a Indonésia tem um total de 32, sendo 4 em 2013. a Austrália não tem nenhum nome na lista.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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