Empresa modifica processos

Desde março do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, a BRF procurou reforçar seus processos de controle sanitário nas granjas de frangos e perus e buscou ser mais rigorosa em seus frigoríficos, indicam fiscais e produtores integrados ouvidos pelo Valor.

No entanto, técnicos do Ministério da Agricultura não descartam que a nova fase da operação deflagrada esta semana – e que investiga fraudes em análises laboratoriais para detecção de salmonela entre 2012 e 2016 – revele que as irregularidades tenham continuado ao longo de 2017.

Daniel Teixeira, auditor fiscal agropecuário federal no Paraná, responsável pelas denúncias que culminaram na Carne Fraca, reconhece que a BRF mudou os procedimentos em seus frigoríficos, por meio de processos documentais visando mais controle. E que, de fato, as notificações de testes positivos para a bactéria, pelo menos no Paraná, só aconteceram até março de 2017. Ainda assim não é possível dizer que esses procedimentos impediram novas fraudes com salmonela.

"Por mais que tenham mudado os procedimentos dentro da empresa, a salmonela vem do campo, mas não mudou nada aqui e a gente vê que a produção de frango não mudou por aqui", disse Teixeira, que atua na fiscalização de frigoríficos de aves há 10 anos.

"Entre os colegas fiscais aqui a maioria duvida que tenha parado o serviço de fraude dos laboratórios. Porque desde a primeira fase [da Operação Carne Fraca], os laboratórios passaram imunes", afirmou ele, acrescentando que outras empresas podem ter usado o mesmo esquema de fraudes com laboratórios.

Um integrado da BRF em Mineiros (GO) disse que desde o episódio que atingiu a empresa na cidade em 2017, a BRF passou a ser "muito mais rigorosa" com os produtores locais. A fábrica de Mineiro também foi alvo da Operação Trapaça e teve as exportações suspensas, assim como as de Rio Verde (GO) e de Carambeí (PR).

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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