MEIO AMBIENTE | Indústria investe em soluções para acabar com aterros

Ao tomar a decisão estratégica de dobrar de tamanho reduzindo o impacto ambiental, a Unilever projetou que seria necessário eliminar o envio de resíduos industriais para aterros sanitários até 2015. "Nas nove fábricas do Brasil, após um ano de trabalho, chegamos ao lixo zero no ano passado", informa Ligia Camargo, gerente de sustentabilidade. A maioria das sobras da produção, principalmente restos orgânicos da fabricação de alimentos, 45% do total, se transforma em ração animal. Outra parte vira adubo, por meio da compostagem, ou é encaminhada para reciclagem ou aproveitamento energético.

"O esforço atual é melhorar os resultados nos 28 centros de distribuição no país, que ainda destinam 34% do lixo para aterros", revela a gerente. O principal problema é a perda de produtos estragados ou com validade vencida, junto com as embalagens. "A estratégia é reduzir a geração de resíduos na fonte e, como resultado, o que deixa de ser gasto na manutenção de aterros é investido em novas soluções, como a reciclagem".

A P&G Brasil atingiu neste ano o índice de 100% de recuperação de resíduos industriais na unidade de Manaus, evitando o despejo em aterro. O trabalho de reciclagem acontece em três turnos, 24 horas por dia. Os materiais são vendidos para a maior recicladora da Região Norte, retornando à cadeia produtiva. O lodo do tratamento dos efluentes é enviado para secagem e depois para compostagem, onde se transforma em adubo. Os resíduos de óleo das máquinas viram graxa e outras sobras são aproveitadas para co-processamento na fabricação de cimento. O que não pode ser reciclado é incinerado, com reaproveitamento da energia.

No mundo, 45 de unidades de produção da companhia alcançaram a meta de não enviar resíduos industriais para aterros sanitários. A primeira a conquistar o objetivo se localiza em Budapeste, na Hungria, em 2007. Desde então, a iniciativa se espalhou por outros países, como o México, onde o lodo proveniente da produção do papel higiênico é transformado em telhas de baixo custo, utilizadas na construção de conjuntos habitacionais para comunidades locais. Nos Estados Unidos, as aparas provenientes da fabricação de fraldas e papéis-toalha são transformadas em material para estofamento.

A Embraco, fabricante nacional de compressores de refrigeração, tem meta de "resíduo zero" até o fim de 2015. "Queremos crescer sem enterrar lixo", diz Rosane Buttgen, gerente de meio ambiente.

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Fonte: Valor |  MEIO AMBIENTE | Por Sergio Adeodato | De São Paulo

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