MEIO AMBIENTE | Guardiões dos rios fazem capacitação na rede pública

Após sete anos de sobrevoos em avião e balão para comprovar a existência dos rios voadores, fenômeno de formação de massas de ar que levam água da Amazônia para outras regiões da América do Sul, o casal Gérard e Margi Moss comemora um marco da nova fase do projeto. "Desde 2011, capacitamos mais de mil professores da rede pública de ensino. Por meio deles, 200 mil alunos", proclama o coordenador Gérard, primeiro piloto a dar a volta ao mundo em monoplanador.

Com a substituição dos levantamentos aéreos pelo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com mapas meteorológicos, o projeto, patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental, pousou no solo para popularizar a informação científica sobre o fenômeno, diz Gérard.

"Nas conversas em secretarias estaduais e municipais de educação, temos sempre a sensação de vir em boa hora. Nossos eventos são muito prestigiados. Ver uma criança com olhos brilhando com uma imagem de árvore dá esperança e um prazer danado", confessa Gérard ao falar da relação do clima regional com o da região amazônica e do papel da cobertura vegetal na manutenção do regime das chuvas. "Pela evapotranspiração, uma árvore de grande porte da Floresta Amazônica pode lançar mais de mil litros de água por dia na atmosfera", cita.

Outro programa educacional é o "Observando os Rios", projeto desenvolvido pela Rede das Águas, da Fundação SOS Mata Atlântica, em dez Estados de ocorrência do bioma. Cerca de 300 grupos voluntários formados por escolas e ONGs locais fazem o monitoramento com um kit de análise da água desenvolvido por renomados cientistas, resume a coordenadora, Malu Ribeiro.

Entre os desdobramentos, o "Água de Viver" envolveu consultoras da Natura no monitoramento de 63 pontos em corpos d’ água na região Sul. "Sempre que um sistema entra em crise, assistimos campanhas educativas emergenciais. Nosso programa, voluntário e permanente, busca incutir a necessidade de cuidar mesmo quando o indicador é positivo", diz.

"Como pode um produtor rural querer reduzir a faixa de mata ciliar? Sem ela, teremos erosão, que ameaça as bacias hidrográficas e, com isso, a própria agricultura. Não podemos esquecer a relação íntima entre água e floresta", avisa o diretor da fundação, Mário Mantovani, ao recordar a campanha em prol do Código Florestal e a origem dos kits de monitoramento, inspirados em ação similar da ONG International River Network, nos EUA.

Enfrentando o menor índice pluviométrico em oito décadas na Grande São Paulo, a Sabesp adotou a campanha "Guardiões da Água", que, até dezembro, premiará com descontos quem reduz o consumo. O efeito foi moderado, admite Samanta de Oliveira, gerente de relacionamento com os clientes na Região Metropolitana, já que a redução da retirada do Sistema Cantareira, de 31 m3 /segundo para 22 m3 /segundo deveu-se sobretudo a medidas de engenharia. Só 29% resultam da conscientização dos consumidores. Palestras, cursos, distribuição de impressos e parcerias com entidades setoriais são apostas da companhia para melhorar o retorno.

Operacionalizado no Brasil pelo Earth Child Institute (ECI), a Water Schools, da Cristais Swarowski, acaba de chegar ao Brasil, onde elegeu o encontro do rio Tapajós com o Amazonas, em Santarém (PA), para suas atividades. "O projeto começou em 2000 no rio Danúbio, na Áustria, onde fica a sede mundial da Swarowski. E já está nos Ganges (Índia), Nilo (Uganda), Iang Tsé (China)", informa Donna Goodman, fundadora da ECI nos EUA. A proposta no Brasil prevê seminários para docentes de 35 escolas ribeirinhas até 2016, a criação de materiais pedagógicos e um Festival da Água.

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Fonte: Valor |  MEIO AMBIENTE | Por Silvia Czapski | De São Paulo

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