MEIO AMBIENTE | Água e energia ganham importância estratégica

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Linko Ishibashi, executiva do HSBC: quatro anos para realizar um trabalho que exigiria 20 anos de um pesquisador

A busca da racionalização no uso de água, energia e insumos já faz parte das prioridades estratégicas de muitas empresas. Uma das consequências disso tem sido a valorização dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), fundamentais para manutenção da competitividade. Também cresce a procura por consultorias e por profissionais especializados que deem conta dos desafios da atuação responsável em meio à escassez de recursos. Outra tendência é envolver os colaboradores em ações socioambientais voluntárias, com o apoio de organizações do terceiro setor.

Um exemplo é a parceria do HSBC com a ONG Earthwatch, que pretende treinar 7.500 empregados para um trabalho científico inédito: o monitoramento de mananciais em 30 cidades de 14 países. Os dados servirão de suporte a pesquisas e a políticas públicas de gestão dos recursos hídricos locais. No Brasil, a iniciativa envolve 184 pessoas e deve chegar a 700. "De dois em dois meses, vamos coletar informações sobre qualidade da água em 80 pontos de rios e córregos urbanos em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba", explica a superintendente executiva de sustentabilidade, Linko Ishibashi, que coordena na América Latina o programa HSBC pela Água. "Se esse trabalho fosse realizado por um pesquisador, ele faria em 20 anos o que vamos fazer em quatro".

A segunda vertente do programa, em parceria com a ONG World Wide Fund for Nature (WWF), visa a proteção de bacias hidrográficas com potencial de desenvolvimento econômico. Das cinco selecionadas no mundo, uma é o Pantanal. O objetivo é atuar junto a comitês de bacias em 25 municípios que dão origem a 30% da água que abastece esse bioma. Um terceiro objetivo envolve projetos de saneamento para 1,9 milhão de pessoas e acesso a água potável para 1,1 milhão em Bangladesh, Índia, Nepal, Paquistão, Nigéria e Gana. O Programa HSBC pela Água tem duração de cinco anos (2012-2016) e conta com investimento de US$ 100 milhões (R$ 223,9 milhões).

Ações relacionadas ao uso da água e do solo também fazem parte da estratégia da Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto. Há três anos a corporação brasileira assumiu publicamente uma série de compromissos ambientais de longo prazo, entre eles o de reduzir em um terço a área destinada à atividade. No ano passado foram produzidas 11,9 toneladas de celulose por hectare, contra 10 toneladas em 2011. A meta é chegar a 15 toneladas até 2025, o que resultaria em um aumento de 26% na produtividade e na liberação de 250 mil hectares de terras.

Para isso, a empresa tem investido em pesquisas de gestão florestal e melhoramento genético, que envolvem estudos para produzir eucaliptos que consomem menos água e para aumentar a absorção de carbono da atmosfera. Outra meta é chegar a 2025 com 80% de apoio das comunidades onde a empresa atua.

Em São Paulo, a AES Tietê investe desde 2002 em uma célula de combustível que servirá como alternativa energética em períodos de estiagem. O objetivo é armazenar hidrogênio a partir da eletrólise (decomposição) das moléculas da água, que é realizada com o uso da energia excedente das hidrelétricas ou de etanol. "Essa tecnologia se torna economicamente viável quando a energia é muito cara", diz o diretor de geração da AES Brasil, Ítalo Freitas. Orçado em R$ 5,1 milhões, o projeto tem como parceiros a Universidade de Campinas (Unicamp) e a startup Hytron.

"Há empresas que dão uma maquiada em vez de atacar a questão da sustentabilidade, mas a gente percebe um processo de evolução nesse comprometimento", constata Roberto Araújo, coordenador da Fundação Espaço Eco (FEE), organização sem fins lucrativos criada em 2005 pela Basf. A FEE atua em três áreas: estudos científicos, educação ambiental e restauração de ambientes agrícolas. Nas pesquisas, a Fundação tem criado metodologias para medir o desenvolvimento sustentável, como estudos de socioeficiência e de pegadas energética, hídrica e de carbono.

Um nicho de mercado relativamente novo no Brasil é o de consultoria para gestão eficiente de energia. "A atividade que começou com a crise energética de 2001 e ganhou impulso a partir do fim do ano passado, com a aprovação da norma ISO 50.001", diz o empresário Kleber Rissardi. Em 2008 ele criou a Esco Iguassu Engenharia, a partir de suas pesquisas sobre o tema na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).

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Fonte: Valor |  MEIO AMBIENTE | Por Dauro Veras | De Florianópolis

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