MEIO AMBIENTE | Eventos extremos impactam o potencial agrícola

Davilym Dourado/Valor / Davilym Dourado/ValorMarcos Buckeridge: país deve investir no plantio em áreas degradadas

O excesso de gás carbônico (CO2) na atmosfera acelera o crescimento de algumas culturas, mas as emissões também podem reduzir o teor proteico de algumas sementes. Nos laboratórios da Universidade de São Paulo (USP), o biologista e especialista em mudanças climáticas, Marcos Buckeridge, já comprovou que o feijão, por exemplo, exposto às altas temperaturas, perde 7% de seu valor proteico. É que o grão fica mais rico em lipídios e amido e mais pobre em nitrogênio, o que significa a perda de proteína e de aminoácidos essenciais à dieta humana. Para compensar tal perda, é preciso comer mais.

Buckeridge sugere que o país, grande exportador de produtos primários, especialmente grãos, comece já a investir na biotecnologia e em técnicas que possibilitem plantio de qualidade em áreas degradadas. "Como medida de adaptação sugerimos que lancemos mão de tudo que for possível para ajudarmos as plantas", enfatiza um dos autores do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) e que assinou o último relatório das Nações Unidas, lançado no final de abril, em Yokohama, no Japão.

O professor Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade de Campinas (Unicamp), estuda, desde 2001, a reação das culturas agrícolas às mudanças climáticas. No estudo ‘Mudanças Climáticas e a Nova Geografia da Produção Agrícola Brasileira’, ele concluiu que algumas lavouras serão alvo de redução da área plantada, enquanto outras serão beneficiadas. O noroeste de São Paulo sofre o impacto das altas temperaturas. A região, que já foi rica em café, virou produtora de seringueira. O café perdeu 36% de área plantada no noroeste do Estado enquanto o plantio de seringueira cresceu 67%, entre 1998 a 2008, segundo o Instituto de Economia Agrícola.

Projeções do Cepagri apontam que, nos próximos 20 anos, o arroz perderá 7,5% de seu potencial de produção. A redução no milho será de 16% e da soja, de 20%. A cana de açúcar, por sua vez, deve crescer 104%. Segundo Hilton, a perda total na agricultura deve ser de 2,5% anuais.

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Fonte: Valor |  MEIO AMBIENTE | Por Liana Melo | Do Rio

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