MEIO AMBIENTE | Consciência do consumidor é crescente

O planeta, sem dúvida, preocupa o consumidor. A proporção de pessoas que já ouviram falar em sustentabilidade aumentou de 44% para 60% entre 2010 e 2012, segundo a pesquisa "Responsabilidade social empresarial – percepção pelo consumidor brasileiro", realizada pelo Instituto Akatu. A apreensão crescente dos brasileiros com o tema fica evidente também em uma pesquisa realizada pelo Ministério do Meio Ambiente – "O que os brasileiros pensam sobre meio ambiente" -, quando se percebe que a proporção de pessoas que acreditam que o Brasil não tem problemas ambientais caiu drasticamente, de 47%, em 2002, para 11%, em 2012.

O processo de transição para uma sociedade mais sustentável, entretanto, exige mudanças profundas em diferentes âmbitos – empresas que precisam atuar de forma mais sustentável, governos que adotem políticas de desenvolvimento contemplando a dimensão ambiental e cidadãos que devem criar hábitos cotidianos e de consumo mais conscientes. "Sem dúvida, o consumidor está hoje mais preocupado com o planeta do que há cinco anos, mas ele ainda precisa entender como os produtos ditos sustentáveis impactam sua vida", afirma Renato Meirelles, presidente do Data Popular. "As 40 milhões de pessoas que agora fazem parte da classe C têm restrições orçamentárias e não compreendem ainda por que os produtos reciclados são mais caros, apesar de reconhecer a importância da reciclagem", explica Meirelles.

"O consumidor quer ser mais saudável, mais responsável e consumir produtos com menos agrotóxicos, mas na hora de pagar entra em conflito porque o produto é mais caro", diz Heiko Spitzeck, coordenador do núcleo de sustentabilidade da Fundação Dom Cabral.

Ao mesmo tempo em que os consumidores estão mais preocupados com a questão da sustentabilidade, eles demonstram uma desconfiança crescente em relação ao que as empresas comunicam. Ainda de acordo com pesquisa do Akatu, a proporção de pessoas que não acreditam no que as empresas falam sobre responsabilidade social e sustentabilidade aumentou de 44% para 49% entre 2010 e 2012.

Isso impõe um grande desafio às corporações. "As empresas que têm uma atuação comprometida com a sustentabilidade precisam encontrar formas de se comunicar com o consumidor, mostrando os diferenciais de seus produtos. Em muitos casos esta é uma tarefa complexa que exige o engajamento de diferentes áreas da organização", afirma Dalberto Adulis, consultor de conteúdos e metodologias do Instituto Akatu.

"Pesquisamos o tema do meio ambiente há algum tempo e percebemos que estamos num segundo momento. Se no primeiro momento, as empresas focavam no acionista, agora elas começam a entender que o consumidor se preocupa com a questão", explica Meirelles. Segundo Spitzeck, o desafio que se coloca à frente das companhias é como apresentar ao consumidor os produtos sustentáveis de forma palatável.

"Apesar de as pesquisas confirmarem um maior interesse em sustentabilidade e meio ambiente, as mudanças de hábito ainda são tímidas. Separar e reciclar o lixo é fundamental, mas é a ponta do iceberg. Reciclar lixo não justifica a quantidade de lixo gerada", afirma Cristina Fedato, coordenadora pedagógica do curso de especialização em gestão socioambiental da Fundação Instituto de Administração (FIA). "A educação da população nesse sentido tem evoluído com uma rapidez enorme e as empresas têm que seguir esse caminho. O maior desafio das companhias é conseguir economia de escala para produtos sustentáveis e desenvolver um bom trabalho de construção de marca para que o consumidor aceite pagar mais", complementa Ricardo Teixeira, professor do MBA em gestão do meio-ambiente e sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Silvia Cervellini, diretora de negócios de serviços do Ibope Inteligência, acredita que a preocupação crescente com o meio ambiente tem encontrado eco na demanda por pesquisas.

De acordo com ela, o tema vem sendo incorporado com mais frequência em estudos com foco mais abrangente para o negócio da empresa, como, por exemplo, reputação corporativa. "Vemos nas organizações uma atenção e investimento bem grande e, talvez, próximo ao tamanho do problema. Nos parece que faltam mais iniciativas corporativas para engajar o consumidor de uma forma mais prática, em que todo munda ganha", diz Cervellini, para quem, as empresas devem encontrar uma forma da mostrar ao consumidor sua eficiência ambiental. "É preciso ser sustentável sem mexer no bolso e no conforto das pessoas", aposta.

Segundo Paulo Luis Gomes Alves, gerente de pesquisa de mercado do Datafolha, tem havido um crescimento gradual da atividade de pesquisa em todos os campos. Grande parte do investimento continua dirigido para tentar entender marcas e comunicação, inovação em produtos, qualidade de serviços, hábitos e atitudes do consumidor.

"Dentro desses temas, a questão ambiental se tornou componente importante. A maior parte das empresas teve que adicionar essa questão como um fator de sua reputação no mercado", afirma Alves.

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Fonte: Valor |  MEIO AMBIENTE | Por Lia Vasconcelos | Para o Valor, de São Paulo

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