MEIO AMBIENTE | Ação em cadeia multiplica prática socioambiental

Fazia muito tempo que a empresa Pilecco Nobre, produtora de arroz de Alegrete (RS), tentava vender para a rede de supermercados Pão de Açúcar, sem sucesso. A oportunidade se abriu após a decisão de apostar em algo novo de apelo ambiental: a embalagem de plástico obtido a partir da cana-de-açúcar – e não do petróleo, como convencional. "Acrescentamos valor e fidelização à marca, além de confirmar que inovação e sustentabilidade podem estar ao alcance de todos", ressalta Onélio Pilecco, presidente da empresa.

Por meio de parceria com a petroquímica Braskem, fabricante do material, e com a indústria que faz as embalagens, pela primeira vez o arroz chegou à mesa do consumidor embalado por plástico de fonte renovável, com menor emissão de gases do efeito-estufa. O produto ajuda a construir imagem e reputação, principalmente para quem se expande nas operações globais. "Se não nos posicionarmos, outros o farão por nós", afirma Cláudia Bocciardi, gerente de marketing da Braskem.

Ela reforça que a iniciativa gera reflexos na cadeia produtiva de diferentes setores, tanto fornecedores de matéria-prima quanto usuários de embalagens e fabricantes de autopeças, por exemplo. A petroquímica estabeleceu um código de conduta para produtores de cana e do etanol fornecido à unidade de Triunfo (RS), com capacidade de produção de 200 mil toneladas de plástico verde por ano. O material começou ser utilizado em embalagens para agregar valor a marcas de fabricantes como Natura e Johnson&Johnson, mas a expansão em maior escala depende de fatores de mercado, como flutuação do preço do etanol e viabilidade econômica em comparação ao plástico convencional.

O selo "I’m Green" diferencia o produto junto ao consumidor. "Graças ao material, 82% da embalagem longa vida que comercializamos no Brasil já provém de fontes renováveis", revela Elisa Prado, diretora de comunicação da Tetra Pak. Além do plástico, a estrutura das caixas de suco, leite e outros alimentos contém uma camada de alumínio e outra de papel, obtido de florestas de eucalipto com selo socioambiental. A novidade foi incorporada sem o repasse do custo ao preço da embalagem vendida a fabricantes de bebidas.

Um desafio é levar iniciativas como a do plástico verde à construção civil. A maioria dos materiais utilizados em obras, com exceção da madeira, é de origem não renovável e emite intensivamente carbono na produção, como aço e cimento. A tendência é buscar alternativas de menor impacto, respaldadas por selos de "construção sustentável", mercado que tem passado ileso pelas oscilações da economia. Segundo a consultoria EY, o setor movimentou R$ 13,6 bilhões em 2012, no país. No ano passado, existiam 838 registros de projetos interessados no selo LEED, o triplo em relação a 2010.

"A construção sustentável já é padrão para torres corporativas no eixo Rio-São Paulo", diz João Marcello Pinto, presidente da Sustentech, consultoria especializada no setor. "As iniciativas geram efeitos na cadeia produtiva para o desenvolvimento de materiais e produtos a preços competitivos, viáveis e muitas vezes não superiores ao de seus similares convencionais."

Para João Marcello, as iniciativas deixarão de ser restritas a corporações quando o consumidor escolher onde vai morar ou trabalhar com critérios que vão além da localização, preço e metragem. "Os problemas críticos de água e energia enfrentados pelo Brasil expõem a necessidade de que a construção sustentável se torne um padrão", argumenta o consultor.

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Fonte: Valor |  MEIO AMBIENTE | Por Sergio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo

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