Medidas procuram aliviar crise em SC

Problema vivido pelo agronegócio em Santa Catarina não seria o abastecimento no país, mas a logística para transportar os GRÃOS, que representam 70% da alimentação das aves, do Centro-Oeste para o Sul

A crise da avicultura catarinense é um problema de logística e não de abastecimento. O Brasil nunca teve tanto milho, com safra e estoque recordes. Mas os GRÃOS não estão chegando ao Sul do país porque o frete para transportá-los do Centro-Oeste encarece ainda mais o produto, que já está em alta no mercado internacional.

Em reunião, ontem, com o secretário estadual da Agricultura, João Rodrigues, na superintendência regional de Santa Catarina da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), o superintendente de Armazenamento da CONAB em Brasília, Rafael Borges Bueno, e o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Maria dos Anjos, se comprometeram em tomar medidas para fazer mais milho chegar aos pequenos produtores e às pequenas e médias agroindústrias do Estado.

– Não há nenhum problema de abastecimento de milho no país. O Brasil vai colher uma safra de 73 milhões de toneladas, consumir 50 milhões, exportar 14 milhões e ainda vamos ter 14 milhões sobrando (incluindo aí o estoque inicial). É a maior sobra da história. O problema todo é de logística e de localização. Temos estados deficitários como SC, RS e SP, mas temos estados superavitários, como PR, MT, MS e GO. Temos que fazer essa mágica para o produto andar de um lado para o outro – explicou Anjos.

Produtor deve buscar o milho

Para isso, o secretário de Política Agrícola do Mapa disse que o governo está trabalhando com a ideia de fazer um leilão no Centro-Oeste (que é onde a CONAB tem estoque) a um preço 15% a 20% menos do que o valor da exportação, hoje em em torno de R$ 35 a saca de 60 quilos. Isso significaria um preço de R$ 29 por saca para compradores de até mil toneladas por mês (ou seja, pequenas e médias agroindústrias).

– Mas o comprador precisa buscar o milho na origem, no Centro-Oeste. O governo, em parte, está ajudando no abastecimento, mas não consegue sozinho resolver o problema. As grandes agroindústrias têm potencial para resolverem sozinhas – defende.

O prazo para isso ocorrer, segundo ele, depende de modificar portarias interministeriais do governo federal. A tramitação já está ocorrendo mas ainda precisa passar pelo Ministério da Fazenda e do Planejamento.

– Acredito que estará resolvido em 20 dias – projetou.

Para os pequenos produtores, Bueno garantiu que a CONAB está programada para fazer um leilão no próximo dia 27 com 35 mil toneladas de milho destinadas a SC com preço de R$ 21 a saca. Segundo ele, essa demanda já foi autorizada pelo Ministério da Agricultura dentro do programa Venda Balcão.

O secretário João Rodrigues disse que o governo estadual também vai tentar criar uma linha de ação para permitir o escoamento do milho. Entre as opções estão cobrir a diferença do frete pago pela CONAB ou ainda desonerar o ICMS. Mas as alternativas ainda precisam passar pelo governador Raimundo Colombo e pela secretaria da Fazenda.

– Precisamos, prioritariamente, da ação federal. A responsabilidade de abastecimento é da CONAB. O problema é de transporte. O novo estatuto do motorista de carga dificulta o transporte nas rodovias federais e onera ainda mais o frete. Os transportadores preferem trafegar em estradas vicinais no próprio Centro-Oeste, onde a legislação não consegue alcançá-los, para ter margem de lucro. E aí reduz o número de caminhões que vêm para SC. Quando uma lei burra é criada, causa impacto na economia – lamentou Rodrigues.

O secretário se reúne hoje, às 10h, com as entidades ligadas ao setor agropecuário do Estado para estudar novas alternativas e levar a posição do governador Raimundo Colombo.

simone.kafruni@diario.com.br

SIMONE KAFRUNI

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE – SC

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