Média do café em NY em abril é a menor desde o fim de 2004

A ampla oferta resultante de boas safras em países produtores como o Brasil no ano passado continua a pressionar as cotações do café na bolsa de Nova York.

Segundo cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega, o resultado do mês (o balanço foi fechado ontem, dia 29), cerca de 3,5% inferior ao de março, é o mais baixo desde novembro de 2004.

Em relação à média de abril de 2018, a queda chega a 21%. Entre as commodities agrícolas exportadas pelo Brasil e referenciadas ou em Nova York ou na bolsa de Chicago, essa variação negativa na comparação anual só é menor que a do suco de laranja.

Também negociado em Nova York, o suco continua a ser pressionado pela recuperação da oferta da fruta e da bebida na Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo, menor apenas que o de São Paulo e Minas Gerais.

De acordo com o Valor Data, o valor médio dos contratos de segunda posição de entrega do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) caiu 9% em abril na comparação com março, e a retração em relação a abril de 2018 é de aproximadamente 22%.

Ainda no mercado nova-iorquino, o açúcar -, cujas exportações globais também são lideradas pelo Brasil, como no café e no suco – e o algodão, segmento no qual o país tem aumentado sua participação, registram altas na comparação com março.

A maior, próxima de 2,6%, é a do algodão, sustentada sobretudo pelo aumento das importações chinesas. Mesmo assim, em relação a abril do ano passado, a baixa ainda se aproxima de 6%.

Já o açúcar começa a confirmar as expectativas alimentadas pelas previsões de déficit global na safra internacional 2019/20 e sobe pouco menos de 1% sobre março, mas cerca de 6,5% na comparação com abril de 2018.

Em Chicago, as cotações da soja ainda acusam a menor demanda da China pelo grão americano em meio às incertezas que cercam o futuro das disputas comerciais entre Washington e Pequim, e o milho varia de acordo com as previsões climáticas para a próxima safra americana.

Segundo o Valor Data, os contratos futuros de segunda posição de entrega da soja fecharam abril com retrações de pouco mais de 1% na comparação com o resultado de março e superiores a 15% em relação a abril de 2018.

Analistas consultados pelo Valor nas últimas semanas têm reforçado que o quadro global de oferta e demanda de soja é confortável e poderá ficar ainda mais "folgado" caso se concretizem as perspectivas de diminuição das importações da China, cujo crescimento econômico desacelerou e onde a demanda para suínos tende a recuar por causa do surto de peste suína africana.

O milho, finalmente, encerra abril com cotação média cerca de 2,5% inferior à de março e quase 7% mais baixa que a de abril do ano passado. Mas adversidades climáticas em regiões produtoras dos Estados Unidos ofereceram suporte aos preços nos últimos dias. (Colaborou Fernando Lopes)

Por Marina Salles e Fernanda Pressinott | De São Paulo

Fonte : Valor

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