Matéria-prima brasileira turbina exportação suíça de cafés industrializados

Denis Balibouse/Reuters / Denis Balibouse/Reuters
Importações de café verde garantem o consumo e as exportações da Suíça

Eis que o café desponta como o principal produto agroalimentar exportado pela Suíça, país reputado pelos Alpes repletos de neve e obviamente sem um único pé de café plantado, em mais uma situação que ilustra uma das faces polêmicas do comércio mundial.

Dados publicados ontem pelo governo suíço mostram que as importações de café do país somaram 515 milhões de francos suíços entre janeiro e setembro deste ano, ou cerca de US$ 570 milhões ao câmbio atual. O maior fornecedor foi o Brasil, com 23% do total, seguido pela Colômbia, com 15%.

Com a matéria-prima na mão, os suíços processaram café para seu próprio consumo e ainda exportaram o equivalente a 1,6 bilhão de francos suíços (US$ 1,8 bilhão) nos três primeiros trimestres do ano. É mais que o dobro do que o país exportou em chocolates (550 milhões de francos) e em queijos (400 milhões de francos).

E o crescimento das exportações suíças de café em relação a igual intervalo do ano passado chegou a 23,3%, em comparação com os pálidos 9% registrados pela indústria relojoeira helvética.

A exemplo de Alemanha e Itália, o que a Suíça faz é importar o café em grão, com tarifa baixa ou nula, estimulando a indústria local. As empresas fazem o processamento, marketing e depois reexportam o produto, com lucros polpudos.

A Organização Internacional do Café (OIC) calcula que as empresas desses países obtêm lucro de 74%, em média, em relação ao que pagam pelas importações.

Mas se o Brasil, maior produtor mundial de café, quiser também vender diretamente o café processado e ganhar mais, terá dificuldades. É que a alíquota que incide sobre o produto com valor agregado pesa bem mais e desestimula concorrentes.

É o que se chama, no comércio internacional, de "escalada tarifária" – que, de certa forma, tenta perpetuar países produtores como meros fornecedores de matéria-prima. As negociações de novas regras na Organização Mundial do Comércio (OMC) têm esse tema na agenda, sem avanço.

De janeiro e setembro, a Suíça registrou superávit comercial de 19,1 bilhões de francos suíços (US$ 21,2 bilhões), resultado de exportações de 150 bilhões de francos e de importações de 131 bilhões.

Com o Brasil, o superávit helvético é enorme: exportou US$ 1,77 bilhão (quase US$ 2 bilhões) até setembro, ante 629 milhões de francos em importações.

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Fonte: Valor | Por Assis Moreira | De Genebra

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