Marina busca ampliar adesões ao Rede

Ex-ministra critica “campanha orquestrada” pelo Palácio do Planalto para inviabilizar a criação da nova legenda

Alexandre Leboutte

JONATHAN HECKLER/JC

Marina Silva intensifica mobilização para chegar a 500 mil assinaturas

Marina Silva intensifica mobilização para chegar a 500 mil assinaturas

Com extensa agenda na Capital desde sexta-feira, a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva reservou a tarde de domingo para se reunir, na Câmara Municipal de Porto Alegre, com mais de uma centena de apoiadores do movimento que busca criar a Rede Sustentabilidade – novo partido político, capitaneado por Marina, que já tem cerca de 400 mil assinaturas de apoio em todo o Brasil, das 500 mil necessárias para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formalize o registro da nova legenda.

A tônica do encontro foi de motivação dos integrantes do movimento para que o grupo consiga atingir a meta de coleta de assinaturas até o mês de junho, antes do prazo final, que é setembro. “Estou aqui, no esforço de criar este partido, a Rede Sustentabilidade, porque sou persistente”, afirmou Marina, que não poupou críticas ao que chamou de uma campanha orquestrada no Palácio do Planalto para a aprovação de uma lei que dificultaria a criação da nova sigla. “O governo (federal) encomenda uma lei, em regime de urgência urgentíssima – que só se usa em casos de catástrofes ou guerra – para impedir que tenhamos 35 segundos de rádio e televisão para defender as ideias que acreditamos”, alfinetou.

“Águas, quando são represadas, viram pororoca. E ninguém segura uma pororoca”, comparou Marina, dizendo que a tentativa de inviabilizar a Rede, para a disputa eleitoral de 2014, tem sido um motivador maior ao surgimento de apoios espontâneos, “em todo o Brasil”, de pessoas inconformadas com a proposta que tramita no Congresso Nacional, visando a dificultar a criação de novos partidos, ao impedir que recebam recursos do fundo partidário e do tempo partilhado de rádio e TV na primeira eleição que participam.

No encontro, que durou cerca de três horas, representantes de 21 municípios gaúchos puderam ouvir a ex-ministra falar sobre as principais bandeiras do futuro partido e de sua percepção sobre o “surgimento de um novo ativismo autoral”, no qual, principalmente a juventude – cansada das velhas práticas políticas e dos partidos atuais – estaria se engajando em causas específicas e momentâneas.

Marina disse que os jovens trocaram a ideia de um “porto seguro”, que é fixo, pela figura da “âncora”. “A juventude pode estar com a gente, mas, daqui a pouco, se não estiver de acordo, ela levanta a âncora”, observou, sempre reforçando a percepção de que a sociedade está vivendo uma “crise civilizatória”, em que as representações e formas de organização tradicional, como partidos e sindicatos, estariam em declínio. Por este motivo, a Rede Sustentabilidade deverá ter um caráter flexível, estimulando, inclusive, que 30% das candidaturas da futura sigla sejam “candidaturas civis”, isto é, de pessoas vindas de movimentos da sociedade civil, sem a vivência partidária orgânica.

De acordo com a ex-ministra, ela chegou a pensar que seria melhor manter a rede como um movimento, sem criar uma nova legenda, mas foi convencida do contrário. “Fizemos um processo horizontal de escuta das pessoas, que decidiram pela criação de um partido”, descreveu.

“A história não para, a esperança não morre, o sonho não para. Pessoas virtuosas criam instituições virtuosas. Instituições virtuosas que possam nos corrigir quando falharmos nas nossas virtudes”, apontou.

“Nós queremos reconectar as pessoas com a potência da política”, justificou, ressaltando a defesa da sustentabilidade ambiental e da ética.

Dentro das atividades na Capital, Marina será recebida hoje pelo governador Tarso Genro (PT), no Palácio Piratini, às 15h30min. À noite, ela será uma das palestrantes do Fronteiras do Pensamento, às 19h30min, no Salão de Atos da UFRGS. Falará sobre “O Brasil e a questão ambiental”, juntamente com o ambientalista e ex-deputado federal, Fernando Gabeira.

Ex-senadora reuniu nomes de outras siglas

Além de contar com representantes de 21 municípios gaúchos que atuam na coleta de assinaturas para viabilizar a criação da Rede Sustentabilidade, o encontro na Câmara Municipal de Porto Alegre atraiu representantes de outros partidos e figuras que estavam afastadas da política.

É o caso do jornalista e ex-deputado Marcos Rolim, que se desfiliou do PT há alguns anos, e falou entusiasmado ao grupo, dizendo que via no movimento que busca criar o novo partido uma similaridade com a criação do PT. “O que nos movia eram nossas ideias. Estávamos dispostos a fazer tudo por elas”, lembrou, para depois se declarar desapontado com os deslizes éticos da sigla. “Agora estamos começando outro sonho”, declarou, elogiando a retidão ética de Marina.

Também presente no encontro, o deputado estadual Cassiá Carpes relatou ao grupo que está saindo do PTB, mas que ainda não decidiu seu futuro. Porém, mesmo assim, está integrado à mobilização pela criação da Rede Sustentabilidade. O parlamentar estima que seu gabinete já coletou 6 mil assinaturas – das 33 mil angariadas no Estado.

O ex-vice-governador Vicente Bogo (PSDB) também acompanhou a reunião, mas afirma que não pretende deixar o seu partido. Disse que foi manifestar o apoio ao direito da ex-ministra de criar uma sigla, criticando a tentativa “casuística” – que tramita no Congresso Nacional – de inviabilizar o nome de Marina na disputa eleitoral à presidência da República no próximo ano. Também acompanhava o encontro o ex-deputado federal Jorge Uequed (PSDB), cuja filha, Gisele Uequed, é uma das coordenadoras da Rede no Estado.

Fonte: Jornal do Comércio

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