Margens de agroquímicos devem cair

Depois de minimizados os problemas decorrentes dos altos níveis de estoques nas redes de distribuição, que pressionaram margens e reduziram vendas em 2017, as empresas de agroquímicos instaladas no Brasil enfrentam novas dores de cabeça que deverão afetar sua rentabilidade em 2018, sobretudo no segundo semestre.

As margens deverão cair refletindo a menor oferta e preços mais elevados de matéria-prima vinda da China, em decorrência do cumprimento de regras ambientais mais rígidas, e a valorização do dólar em relação ao real, que encarece as importações.

De acordo com Silvia Fagnani, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), os custos com matérias-primas para a fabricação de produtos estão subindo cerca 20%, reflexo da menor oferta chinesa.

Com o efeito cambial, deve haver mais um aumento de 15%, disse ontem Eduardo Leduc, presidente do conselho da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e vice-presidente da Basf no Brasil, em evento em São Paulo.

Segundo dados do Sindiveg divulgados ontem, as vendas da indústria de defensivos somaram US$ 8,89 bilhões em 2017, baixa de 7% ante 2016. A redução reflete o nível de estoques elevados no canal de distribuição. Fontes do setor avaliam que devam ter chegado ao solo (isto é, foram aplicados) o equivalente a quase US$ 10 bilhões em produtos, "queimando" US$ 1 bilhão dos estoques parados.

Neste ano, as vendas devem permanecer na casa dos US$ 9 bilhões, mas as margens ficarão apertadas, com a elevação dos custos, e a situação pode piorar a depender da volatilidade cambial provocada pelas eleições presidenciais que se aproximam. "O que está sendo embarcado agora vai chegar entre agosto e setembro e só será faturado na cotação do dólar da chegada", disse a diretora do Sindiveg.

Leduc concorda e explica: há um descasamento no que se refere às compras de insumos para a próxima safra (2018/19) de soja. "Muitos produtores fixaram compras com o câmbio mais baixo, de R$ 3,30 a R$ 3,50. As empresas negociaram, mas ninguém faturou o produto", disse.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor