Margens brutas tendem a ser positivas para soja e milho

A safra 2018/19 de soja e milho caminha para se consolidar como a segunda maior na série histórica do setor, com a possibilidade de colheita até acima da esperada oficialmente. Na expectativa do coordenador de produção agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Alan Malinski, o país poderá colher entre 116,0 milhões e 117,0 milhões de toneladas de soja, entre 2,2 milhões a 3,2 milhões de toneladas a mais do que o total previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A diferença a maior, no caso do milho, ronda a casa das 3,0 milhões de toneladas, com previsão de 97,0 milhões de toneladas. Apesar da previsão mais otimista que os números oficiais, pondera Malinski, a expectativa inicial era de uma produção até maior para a soja, já que os produtores aproveitaram bem a janela de plantio, antecipando a semeadura diante dos níveis mais elevados de umidade do solo na fase inicial da safra 2018/19. Até 20 de outubro do ano passado, aponta Daniel Latorraca, superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), os produtores mato-grossenses já haviam cultivado metade da área total esperada, diante de 25% em igual período de 2017. Mas a produtividade foi afetada pela estiagem no final do ano passado, afirmam Latorraca e Malinski, num recuo de 6,2% na média de todo o país, para algo levemente superior a 53 sacas por hectare.

A colheita foi iniciada mais cedo do que em outros anos, favorecendo o plantio da segunda safra de milho dentro do período recomendado. Segundo Malinski, os produtores investiram mais em tecnologia, o que tende a permitir produtividades mais elevadas. Os dados da Conab apontam elevação de 12% na média, saindo de 4,86 toneladas para 5,45 toneladas por hectare. "O ganho de produtividade deverá fazer com que as margens brutas para os produtores de milho, que ficaram muito próximas de zero no ano passado, aproximem-se de R$ 100 a R$ 200 por hectare neste ano", prevê o coordenador da CNA.

Considerando a região de Sorriso (MT) como referência, a soja tenderá a oferecer rentabilidade 6% menor do que a do ciclo passado, com a margem bruta flutuando ao redor de R$ 900 por hectare, frente a R$ 950 em 2017/18. "Houve elevação nos custos variáveis e redução da produtividade, mas, no geral, o balanço da safra continua positivo", observa.

Ele sugere que os produtores voltarão a investir em tecnologia na safra 2019/20 e antecipa ainda algum aumento de área para a soja. Para o milho, Malinski lembra que os produtores do Centro-Oeste já negociaram 30% a 40% da safra esperada para este ano e os preços chegaram a recuar, mas não com a intensidade temida. A melhoria nas margens poderá animar o setor a ampliar o cultivo.

Em Mato Grosso, de acordo com Latorraca, os produtores já haviam fechado até abril a venda de 58,5% da produção de milho, prevista para 29,4 milhões de toneladas (6,5% maior do que no ciclo anterior). Em abril passado, as vendas antecipadas representavam 43,9% da produção esperada.

Por Lauro Veiga Filho | Para o Valor, de Goiânia

Fonte : Valor

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