Margem Ebitda da Seara pode chegar a 12%, afirma CEO da JBS

SÃO PAULO  -  Depois de assumir as operações da Seara Brasil no início de outubro, a JBS anunciou nesta quinta-feira uma meta ambiciosa para o ativo adquirido. Já em 2014, a JBS acredita ser capaz de fazer a Seara gerar um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 1,2 bilhão.

Trata-se de um montante bastante elevado, se levado em consideração o desempenho da Seara sob o comando de sua antiga controladora, a Marfrig. No acumulado deste ano até setembro, a Seara teve uma margem Ebitda negativa de 2%, conforme uma fonte consultada pelo Valor.

Rememorando a história de reestruturações — ‘turnaround’ —  bem-sucedidas feitas pela JBS, o CEO Wesley Batista disse hoje que está mais “confiante” com a reestruturação da Seara do que esteve em todas as outras aquisições feitas pela companhia, tais como as americanas Swift e Pilgrim’s Pride.

“A grande pergunta [do investidor] é a Seara.  Acho que não vai ser diferente do que já fizemos. Estou mais confiante do que em todas as aquisições”, afirmou ele, em apresentação a analistas em São Paulo. Batista se mostrou convicto de que vai entregar o Ebitda de R$ 1,2 bilhão. “Acredito que vamos ficar surpresos com os resultados da Seara”, afirmou.

Para fazer da Seara uma empresa lucrativa, a JBS já mapeou R$ 1,2 bilhão em ganhos de sinergias, disse Gilberto Tomazoni, CEO da divisão de negócios JBS Foods, que contempla as operações da Seara e da até então chamada JBS Aves, que tem foco na exportação de carne de frango.

De acordo com Tomazoni, a JBS Foods prevê ganhos de sinergia com a Seara da ordem de R$ 600 milhões na área industrial, R$ 234 milhões em vendas, R$ 100 milhões em logística, entre outros. Sem dar detalhes, Tomazoni disse que pretende diminuir o atual número de marcas da JBS Foods, que hoje é de 29. Desse total, 25 são provenientes dos ativos adquiridos da Marfrig.

Em tom crítico em relação à antiga controladora da Seara, Tomazoni afirmou que os ganhos previstos com a Seara não são fruto da “inteligência” dos executivos da JBS, mas de práticas “básicas” de gestão que não vinham sendo aplicadas pela Marfrig. A crítica à Marfrig foi amplificada por Wesley Batista. “A Seara não ‘performa’ bem. O desempenho não era razoável”.

Questionado por um analista sobre a margem Ebitda que a Seara teria de alcançar para ter um Ebitda de R$ 1,2 bilhão em 2014, o CEO da JBS admitiu que a margem teria de ser de 12%. Apesar de reconhecer o desafio de cumprir o prometido, Batista tomou como exemplo o desempenho das operações da JBS Aves, que têm margem Ebitda superior a 12%, afirmou o executivo.

Com o Ebitda “normalizado” da Seara em R$ 1,2 bilhão, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) da JBS já cairia para 3,4 vezes, afirmou o CEO. No fim do terceiro trimestre, esse índice era de 4,03 vezes. “Se a gente considerar um Ebitda possível e factível para normalizar, nossa alavancagem estaria abaixo de 3,4 vezes”, afirmou Batista.

Nas contas do CEO, o índice de alavancagem da JBS deve ser ainda menor no fim de 2014. Segundo ele, esse índice deve chegar a três vezes no fim do próximo ano. Para tanto, ele conta com o desempenho das outras operações da companhia.

Na apresentação, Batista se mostrou otimista com o desempenho da operação da JBS USA no próximo ano, apesar da queda de produção de 2% esperada na produção de carne bovina, devido à retenção do rebanho. “Estamos super otimistas com a operação nos EUA. Acreditamos que vamos ter um ano melhor em carne bovina. O risco de ‘downside’ é muito pequeno”, afirmou ele.

Além do otimismo em relação aos negócios nos EUA, Batista reafirmou que não enxerga na reversão do ciclo da pecuária no Brasil em 2014, que se mantém favorável à indústria desde o ano de 2012. “Muita gente tem questionado se o ciclo continua positivo. Não vemos motivo para o negócio de bovinos [mudar de tendência]. No ano passado, nasceu a maior quantidade de bezerros no Brasil. Se tem mais bezerro, vai ter mais boi”, justificou. Além disso, a valorização do dólar também ajuda a empresa.

Diante das perspectivas, Batista disse que a JBS poderá ultrapassar a marca dos R$ 120 bilhões em faturamento em 2014. Com isso, a empresa se consolida como a terceira maior empresa não financeira em faturamento do Brasil, atrás de Petrobras e Vale.

© 2000 – 2013. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3339324/margem-ebitda-da-seara-pode-chegar-12-afirma-ceo-da-jbs#ixzz2kzlYisDH

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *