Margem de manobra | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

A vitivinicultura da Serra tem um perfil muito mais europeu do que novo-mundista. Natural, portanto, que venha adotando como modelo as tradicionais denominações de origem (DOs) da França e da Itália, por exemplo, em detrimento do vale-tudo reinante em regiões vinícolas dos Estados Unidos ou da Austrália.

Uma indicação geográfica (IG) não é garantia de qualidade, mas confere aos vinhos de determinada região uma identidade única, como a dos tintos de Bordeaux ou a dos espumantes da Champagne, associada ao terroir (combinação de clima, solo, cepa e trabalho humano). Isso agrega valor ao vinho.

Contudo, tradicionais vinicultores europeus já se permitem produzir alguns vinhos fora das regras de suas DOs (caso dos Supertoscanos, na Itália, e de alguns rótulos do Alentejo, em Portugal), para concorrer com as novidades do Novo Mundo. Por isso, seria bom que, mesmo com as IGs, a Serra preservasse alguma margem de manobra – para não engessar a criatividade de nossos vinhateiros.

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