Marfrig vislumbra redução de dívida bruta em US$ 1,2 bi

Os recursos que a Marfrig recebeu no fim de setembro pela venda da subsidiária Moy Park à JBS já permitiram uma importante redução dos índices de endividamento no terceiro trimestre, mas os benefícios que a empresa pretende obter com a operação, com a forte queda da dívida bruta e menor pagamento juros, só deverão se consolidar ao longo de 2016, de acordo com os executivos da empresa.

A expectativa da Marfrig é que, até o fim do próximo ano, o endividamento bruto da companhia seja reduzido em US$ 1,2 bilhão, disse a jornalistas o CEO da companhia, o uruguaio Martín Secco, em entrevista sobre os resultados da Marfrig no terceiro trimestre. Em 30 de setembro, a dívida bruta da Marfrig totalizava R$ 15,049 bilhões, da acordo com o balanço trimestral divulgado na sexta-feira. No terceiro trimestre, a Marfrig teve lucro líquido de R$ 185,9 milhões.

Para reduzir esse endividamento, a Marfrig pretende usar o montante de US$ 1,21 bilhão recebido pela venda da Moy Park em operações de resgate e troca de títulos de dívida no exterior, indicou o vice-presidente de finanças da Marfrig, Ricardo Florence. De acordo com ele, o processo de gestão de dívida já foi iniciado. Em outubro, a Marfrig resgatou US$ 406 milhões em sênior notes, conseguindo uma economia anual com juros de US$ 34 milhões.

Com a redução da dívida e a consequente economia de juros, a Marfrig também deve conseguir antecipar a meta de atingir um índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) próximo de 2,5 vezes antes de 2018, acrescentou o vice-presidente de planejamento estratégico da empresa, Marcelo Di Lorenzo.

No fim do terceiro trimestre, a Marfrig até conseguiu que o índice de alavancagem atingisse 2,1 vezes, ante as 4,8 vezes reportado no fim de junho. No entanto, empresa alegou que esse índice não reflete a real situação, uma vez que ainda inclui resultados da Moy Park. Para a Marfrig, por ora é melhor considerar o índice de alavancagem de 3,8 vezes, que leva em conta o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) do terceiro trimestre anualizado.

Nos próximos meses, o plano de reduzir o endividamento também contará com a ajuda- ainda que modesta – da venda dos ativos que a Marfrig tem na Argentina e do negócio de beef jerky nos EUA, a Marfood. De acordo com o CEO da Marfrig, as negociações para a venda dessas duas operações estão "avançadas" e podem ser concluídas nos "próximos meses". As negociações para a venda dos ativos ocorrem paralelamente, com empresas diferentes.

Secco ressaltou que o objetivo da venda dos dois ativos não é obter recursos, mas focar as operações no atendimento ao mercado de food service. Além disso, o montante a ser obtido não terá um impacto "material", acrescentou Di Lorenzo.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Fonte : Valor

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