Marfrig teve perdas no 1º tri, mas gerou caixa

Maira Vieira/Valor / Maira Vieira/Valor
Ainda há intenção de abrir capital de uma das duas subsidiárias, diz Sergio Rial

Apesar de ainda seguir no vermelho, a Marfrig apresentou ontem aquele que talvez seja o sinal mais claro para livrar-se das dificuldades financeiras que a atormentam pelo menos desde 2011. Pela primeira vez em muitos anos, a Marfrig conseguiu fechar um trimestre com fluxo de caixa livre ao acionista, o que indica maior capacidade para reduzir dívidas.

No primeiro trimestre, a Marfrig teve prejuízo líquido de R$ 96,415 milhões, ainda pressionada pelas despesas financeiras. No entanto, a empresa gerou um fluxo de caixa livre ao acionista de R$ 16 milhões. "Ainda não é lucro líquido, mas espero que nos próximos anos possamos discutir dividendos", admitiu ontem o CEO da Marfrig, Sergio Rial, em teleconferência com analistas.

Segundo ele, o desafio de 2014 é mesmo gerar um fluxo de caixa live. A Marfrig mantém como meta fechar este ano com fluxo de caixa livre entre zero e R$ 100 milhões.

No primeiro trimestre, a Marfrig registrou uma receita líquida de R$ 4,787 bilhões, crescimento de 9,4% ante os R$ 4,374 bilhões vistos no mesmo intervalo de 2013. Na mesma base de comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) avançou 7,2%, a R$ 392,7 milhões. A margem Ebitda ajustada ficou estável, em 8,4%.

Na BM&FBovespa, os resultados da Marfrig repercutiram bem. As ações da empresa subiram 2,35% ontem, a R$ 4,80. No ano, os papéis da empresa acumulam valorização de 20%. "Foi um bom começo. Eles mostraram melhor gestão de capital de giro", disse ao Valor um analista de um banco americano.

De fato, a menor necessidade de capital de giro foi a principal responsável pelo fluxo de caixa positivo da companhia. No primeiro trimestre, a Marfrig reduziu em R$ 261 milhões o nível de uso de capital de giro, na comparação com o trimestre anterior. De acordo com Rial, a maior parte dessa economia, veio da redução do ciclo de conversão de caixa, notadamente na área de bovinos. Na prática, a Marfrig reduziu de 36 dias para 31 dias o tempo para receber dos clientes.

Para os próximos trimestres, porém, não é provável que a companhia consiga uma redução da mesma magnitude na conta de recebíveis, diz um analista. Desse modo, a empresa terá de lançar mão de outras medidas se quiser seguir em sua estratégia de melhorar a geração de fluxo de caixa livre e reduzir o endividamento.

Na área de gestão de capital de giro, a empresa pode captar R$ 200 milhões por meio de um fundo de recebíveis (FDIC), disse Rial na teleconferência. Já na gestão de dívida, a Marfrig pode concretizar ainda neste segundo trimestre a "troca" de dívidas da Marfrig no Brasil por dívidas na controlada britânica Moy Park, que hoje praticamente não tem endividamento e, portanto, poderia se beneficiar da estrutura de juros mais baixos do Reino Unido. "Isso poderia ocorrer no segundo trimestre, para buscar o diferencial de taxa de juros", disse Rial.

De acordo com um analista, o plano de troca é uma boa oportunidade para "arbitrar" dívidas, na medida em que a empresa poderia emitir uma dívida mais barata por meio da Moy Park e, com o dinheiro dessa emissão, recomprar os bonds que vencem em 2017 e em 2021 e que têm juros altos.

Em meio à troca de dívidas e melhor gestão de capital de giro, o IPO da Moy Park ou da Keystone Foods, subsidiárias da Marfrig no exterior, seria muito "bem-vindo", afirmou uma fonte. Com o IPO, a Marfrig derrubaria o custo de dívida e poderia, finalmente, voltar ao azul.

Na teleconferência, o CEO da Marfrig reafirmou a intenção de fazer o IPO de pelo menos uma das duas subsidiárias, mas reconheceu que não há data definida para isso. "As duas empresas estão sendo preparadas para isso", disse Rial. Segundo ele, a Moy Park está mais adiantada nessa "preparação".

© 2000 – 2014. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/agro/3545058/marfrig-teve-perdas-no-1#ixzz31bH5hkaz

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *