Marfrig tem prejuízo de R$ 132 milhões no 2º tri

 

A Marfrig Global Foods informou ontem que registrou um prejuízo líquido de R$ 131,9 milhões no segundo trimestre, mais de 20 vezes superior ao prejuízo de R$ 6,5 milhões obtido no mesmo intervalo de 2015.

De acordo com a empresa, o pior desempenho decorre dos gastos extraordinários referentes à recompra de bonds. Em maio, a Marfrig captou US$ 750 milhões em notes e usou parte dos recursos para resgatar US$ 571 milhões em títulos que tinham prazo de vencimento mais longo e taxa de juros mais altas. Além disso, a comparação com o segundo trimestre do ano passado é desfavorável, uma vez que a empresa teve um ganho não recorrente naquele trimestre.

No segundo trimestre, a receita líquida da Marfrig cresceu 1,1% na comparação anual, para R$ 4,774 bilhões. Esse modesto crescimento reflete a queda do volume de vendas de carne bovina e o recuo dos preços das commodities, que se refletiu em menor receita em dólar na subsidiária americana Keystone.

Pressionado pela queda dos abates de bovinos, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da Marfrig aumentou de 0,9%, para R$ 414,2 milhões. Com isso, a margem Ebitda ajustada ficou estável em 8,7%.

"Esse resultado reflete as menores margens da divisão de Beef [carne bovina], consequência do desafiador cenário brasileiro e dos menores preços internacionais", informou a Marfrig. Nesse contexto, a margem da divisão de bovinos da companhia (Marfrig Beef) caiu de 8,3% no segundo trimestre de 2015 para 7,5% no período de três meses encerrado em junho.

Nos próximos meses, a expectativa da Marfrig é de recuperação do preço em dólar da carne bovina exportada pelo Brasil, uma vez que a apreciação do real reduziu a rentabilidade das exportações do país. "Já começamos a ver algum tipo de reação. [Mas] a gente não espera nada muito forte", disse Andrew Murchie, executivo responsável pelas operações de carne bovina da empresa no Brasil, em teleconferência com analistas.

Apesar de esperar uma recuperação do preço da carne exportada, a Marfrig não deve ficar livre de impacto negativo em suas receitas. Nesse cenário, a empresa decidiu revisar o "guidance" de receita para 2016, que era de algo entre R$ 22 bilhões e R$ 24 bilhões. Da receita total da Marfrig, cerca de 80% é gerada em moedas que não o real. Ou seja, as oscilações na taxa de câmbio tem forte impacto nas receitas.

Subsidiária da Marfrig, a americana Keystone teve o desempenho comemorado, a despeito do câmbio. No segundo trimestre, o Ebitda Keystone foi recorde. No período, o Ebitda ajustado aumentou 9,1%, para US$ 66,5 milhões, e a margem Ebitda ajustado aumentou de 9,1% para 9,9%.

Na teleconferência, o vice-presidente de finanças e relações com investidores da Marfrig, Eduardo Miron, destacou a redução do índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) para 3,1 vezes no fim de junho. Trata-se do menor patamar em três anos. Em março, esse índice era de 3,5 vezes.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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