Marfrig registrou prejuízo menor no 4º trimestre

O aumento de capacidade de abate de bovinos nos últimos meses de 2017 surtiu efeito e a Marfrig Global Foods reduziu o prejuízo para R$ 7,5 milhões no quarto trimestre. No mesmo período de 2016, a companhia havia amargado uma perda de R$ 270 milhões.

A expansão da área de bovinos fez a receita líquida da Marfrig crescer 8% no quarto trimestre, para R$ 5,3 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado totalizou R$ 493 milhões, aumento de 24%. A margem Ebitda também melhorou na comparação anual, de 8,1% a 9,3%.

Os resultados, melhores que o esperado por analistas, acontecem em um momento no qual a Marfrig intensifica os esforços para reduzir o endividamento, o que poderá tornar a empresa estruturalmente lucrativa – a Marfrig está há anos no vermelho e espera reverter esse quadro em 2018.

Em entrevista ontem ao Valor, o vice-presidente de finanças e relações com investidores da Marfrig, Eduardo Miron, ressaltou que a empresa pretende vender uma fatia minoritária da subsidiária americana Keystone ainda neste semestre.

Mas o IPO da Keystone na bolsa de Nova York, que até então era visto como a principal opção, não é a única alternativa. Segundo o executivo, a Marfrig pode vender uma fatia da Keystone em uma "colocação privada". Miron não quis responder se já há negociações em curso. "Pensamos que o IPO é a melhor ferramenta, mas não queremos limitar a conversa à questão do IPO", afirmou.

A venda de uma fatia minoritária na Keystone, que é especializada no fornecimento de carnes para grandes redes de restaurantes e responde por cerca de 40% das vendas da Marfrig, é essencial nos planos para reduzir o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) para 2,5 vezes até o fim deste ano. Em dezembro, o índice estava em 4,5 vezes. Segundo Miron, atingir a meta para a alavancagem é um objetivo "inegociável" da companhia.

O executivo também comemorou o resultado da agressiva expansão da capacidade de abate da empresa. Com a abertura de cinco frigoríficos em 2017, a Marfrig elevou a capacidade em mais de 70%.

A expansão, que levantou preocupação entre analistas pela maior necessidade de capital de giro, já apresentou resultados positivos, disse. A Marfrig conseguiu fluxo de caixa operacional positivo de R$ 88 milhões no quarto trimestre. O fluxo de caixa livre ainda ficou negativo em R$ 599 milhões, mas Miron disse que isso reflete efeitos não recorrentes, como a adesão ao Refis e o maior ritmo dos investimentos.

Em 2017, a companhia investiu R$ 824 milhões para suportar a expansão da Keystone nos EUA e na Ásia e a operação de bovinos no Brasil. Neste ano, o investimento voltará à casa dos R$ 500 milhões, afirmou o executivo.

Por Kauanna Navarro e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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