Marfrig faz proposta para manter unidade de Alegrete em operação

A Marfrig aceita manter o frigorífico de Alegrete em operação por pelo menos mais um ano em troca de um corte de 60% no quadro de funcionários, da redução de jornada de trabalho e de salários em até 30% em caso de baixa na produção e da implantação de um banco de horas. A proposta foi apresentada ontem no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), em audiência com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação da cidade.

A unidade está em férias coletivas desde 5 de janeiro e a Marfrig já havia anunciado que demitiria os 620 empregados e desativaria a fábrica. Mas, na última segunda-feira, a Vara da Justiça do Trabalho de Alegrete concedeu liminar a uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e suspendeu as demissões até que a empresa concluísse negociações com o sindicato, sob pena de multa de R$ 100 milhões.

Segundo o vice-presidente jurídico da Marfrig, Heraldo Geres, a proposta é a única opção para manter a unidade. Conforme o juiz de conciliação do TRT-RS, Carlos Alberto Lontra, outra audiência foi marcada para o dia 5, quando o sindicato deverá informar se aceita a oferta. No dia 6, a negociação será votada em assembleia dos trabalhadores.

Na audiência anterior, o sindicato havia sugerido que a unidade funcione por pelo menos mais seis meses, enquanto seriam negociadas opções para sustentar a operação. Agora, apesar do prazo maior, o presidente da entidade, Marcos Rosse, acha “difícil” que os empregados aceitem a redução de jornada com corte de salários.

Conforme a proposta da Marfrig, o número de funcionários em Alegrete cairia para 250 por meio de transferências e de um programa de demissão voluntária que prevê a concessão, além dos direitos trabalhistas, de duas cestas básicas e treinamento. Ao mesmo tempo, 120 pessoas seriam remanejadas para os frigoríficos da empresa em Bagé e São Gabriel, com pagamento de um salário adicional, despesas com a mudança e 30 dias de hotel.

A Marfrig reforçou pedidos de incentivos apresentados ao governo do Estado desde 2014, incluindo uso de créditos de ICMS no pagamento da energia elétrica.

Fonte: Valor | Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre

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