Marcha por ajuda contra a seca

Produtores querem mais atenção da União ao socorro ao campo e empenho político do Piratini para que medidas aconteçam

Manifestantes estenderam lonas em frente ao Banco Central Crédito: BRUNO ALENCASTRO

Manifestantes estenderam lonas em frente ao Banco Central
Crédito: BRUNO ALENCASTRO

A seca trouxe de volta à Capital agricultores familiares gaúchos insatisfeitos com as medidas adotadas pelos governos estadual e federal. Os manifestantes cobram maior empenho político do governador Tarso Genro na negociação com a União e criticam a abundância de investimentos visando a Copa, enquanto a produção de alimentos padece. Após uma marcha de duas horas, os manifestantes ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) decidiram acampar em frente ao Banco Central, no centro de Porto Alegre, de onde saíram ontem à noite para pernoitar em Canoas. Hoje, eles retornam à Capital para se unirem aos produtores vinculados à Fetraf-Sul, que passaram a noite na Praça da Matriz.
Representantes do MPA, Fetraf-Sul e Fetag retomam hoje reunião que começou ontem junto com os secretários do Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, e da Casa Civil, Carlos Pestana. Segundo Pavan, será fechada pauta conjunta das entidades com demandas federais que o governo estadual possa ajudar a negociar em Brasília. "Eles também pediram para elevar a ajuda para socorro emergencial, mas iremos avaliar", frisou Pavan.
Segundo a coordenadora da Fetraf-Sul, Cleonice Back, os produtores vão permanecer em vigília até o final dia. A mobilização apoia a investida de comitiva que será recebida, às 11h, pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas. "As medidas anunciadas foram insuficientes ou não chegaram aos agricultores. Queremos que o Estado resolva o problema, apresente respostas", frisou Plínio Simas, coordenador do MPA. Mesmo medidas anunciadas, como a renegociação de dívidas, não estariam surtindo efeito pelas exigências, para o acesso, impostas pelo CMN. As lideranças avisam: se a negociação não evoluir, os protestos tomarão o Interior na próxima semana.
REIVINDICAÇÕES
MPA
Para o governo federal:
– Crédito emergencial de até R$ 10 mil com 3 anos de carência, 7 anos para pagamento e juro anual de 1%;
– Bolsa de R$ 1 mil por família;
– Rebate de R$ 15 mil sobre a dívida total por agricultor, descontados multas e juros classificados de "abusivos";
– Flexibilização das exigências para acesso à renegociação de dívidas fechada em novembro de 2011. No caso dos inadimplentes, é preciso pagar 3% do total para garantir o benefício, dinheiro que os agricultores não teriam.
Para o governo estadual:
– Programa de Irrigação mais abrangente com participação do governo federal para garantir recursos.
Fetraf-Sul
– Auxilio de um salário mínimo por família por 6 meses compartilhado entre Estado e União;
– Crédito emergencial federal de até R$ 10 mil com 3 anos de carência, 7 anos para pagamento e juro de 1%;
– Anistia pela União da segunda parcela de R$ 500,00 do bônus de R$ 2 mil de seca anterior a vencer em maio.

Fonte: Correio do Povo

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