Marcha contra corte de árvores reúne ativistas

Prefeitura de Porto Alegre ainda não definiu cronograma para a retirada dos vegetais e início de obras na Beira-Rio

Fernanda Nascimento

JONATHAN HECKLER/JC

Grupo estendeu uma bandeira branca em frente ao Paço Municipal

Grupo estendeu uma bandeira branca em frente ao Paço Municipal

A liberação judicial do corte de árvores no entorno da Usina do Gasômetro para a continuidade da obra de duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira-Rio, provocou mais um protesto em Porto Alegre. Ontem, centenas de manifestantes marcharam do Paço Municipal pelas ruas centrais da cidade, pedindo a revogação da medida. Enquanto se mobilizam em atos de protesto, os ativistas aguardam o ingresso do recurso do Ministério Público (MP) no Superior Tribunal de Justiça (STJ) – ainda sem data para acontecer.
A prefeitura não definiu o cronograma para a retirada das árvores. De acordo com a assessoria da Secretaria de Gestão – uma das responsáveis pelo planejamento da ação – , o Executivo está elaborando uma força-tarefa, que contará com o apoio da Brigada Militar, da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) e da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov). A definição pode ocorrer somente após o retorno do prefeito José Fortunati (PDT), que cumpre agenda nos Estados Unidos. 
A incerteza sobre o início do corte aumentou a vigília do movimento Ocupa Árvores. Conforme integrantes do acampamento, localizado ao lado da Câmara Municipal de Porto Alegre, o número de ativistas no local aumentou desde a decisão judicial. Os manifestantes prometem impedir o corte, subindo nos 115 exemplares que têm a retirada prevista. “Não aceitamos o corte de nenhuma árvore. Essa obra não é uma solução para o trânsito e ainda retira da cidade uma quantidade de árvores de um espaço público, que é para as pessoas”, argumenta um dos integrantes do acampamento, o artesão Flávio Aguiar.
Além de movimentos ambientalistas, a marcha contou com a participação de cidadãos sem vinculação a grupos de ativistas, como a médica Daniele Bensinom. Moradora do bairro Moinhos de Vento, ela tem participado de todos os atos de protestos. “Os argumentos para este corte são banais. Não nos apresentaram alternativas, não houve debate”, reclama.
Para atrair as atenções ao evento, os manifestantes usaram instrumentos musicais, cartazes, gritaram palavras de ordem e estenderam um pano branco na frente do Paço Municipal. “Só nos resta abrir grandes bandeiras de paz. Não se quer ir contra o progresso e o crescimento, mas, no momento em que nenhuma voz consegue estabelecer o diálogo, viemos pedir a paz”, disse a bailarina e organizadora da intervenção, Daggi Dornelles.

Fonte: Jornal do Comércio

Compartilhe!