MANEJO TRADICIONAL EM VOGA

A polaridade entre técnicas tradicionais do manejo no campo versus as práticas modernas é também fruto de um debate político e ideológico. ‘Estão em jogo interesses específicos em favor de uma tecnologia ou de outra’, declara o professor da Ufrgs, mestre em Sociologia Rural e doutor em Sociologia, Jalcione Almeida. Existem formas de produção tidas como rudimentares que podem garantir ganhos de produtividade. ‘Não precisa ser um modelo único e generalizado. Por que não pensar em agricultura e desenvolvimento no plural?’, questiona.

A visão de que cultivos sustentáveis são mais caros muitas vezes é equivocada. A redução de insumos externos, como adubos e outros produtos químicos pode compensar tanto ecológica quanto financeiramente. Esses agroquímicos podem ser substituídos em geral por insumos produzidos na própria propriedade, como esterco animal e a adubação verde. A rotação de cultivos também pode evitar ou reduzir o uso de componentes químicos.

Segundo Almeida, tudo depende da maneira como se encara a redução dos custos de produção. O agricultor pode economizar na compra de sementes, por exemplo. ‘Quando se produz a própria semente, se reduz o custo. As sementes transgênicas forçam o agricultor a comprá-las’, observa. Outro retorno que ele pode ter ao produzir a semente é a possibilidade de escolher a planta que melhor se adaptou àquela região em que está se produzindo. ‘Há redução significativa dos custos de produção, aliado a isso há o ganho de sustentabilidade e conservação ambiental, agredindo menos o solo, com técnicas de manejo mais adaptadas ao ambiente.’ Ganhos de produtividade às vezes são de médio prazo e, para se trabalhar dessa forma, é necessário maior emprego da força de trabalho humana.

Fonte: Correio do Povo

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